Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Eleição: mídia conservadora se desmoraliza

Por Mário Augusto Jakobskind - Estamos na antevéspera de uma eleição presidencial que definirá quem ocupará a cadeira no Palácio do Planalto nos próximos quatro anos, a partir de 1 de janeiro de 2015. O Brasil nas últimas semanas está sendo movido a pesquisas eleitorais. Pelo menos três por semana estão sendo divulgadas. Discutem-se mais percentuais dos candidatos do que programas propriamente ditos.

Sexta, 26 de Setembro de 2014 às 13:00, por: CdB
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Dilma Rousseff não fez autoelogios, simplesmente reforçou na pauta, entre outras coisas, o fato de o Estado brasileiro ter conseguido nestes anos reduzir a fome e a miséria
Estamos na antevéspera de uma eleição presidencial que definirá quem ocupará a cadeira no Palácio do Planalto nos próximos quatro anos, a partir de 1 de janeiro de 2015. O Brasil nas últimas semanas está sendo movido a pesquisas eleitorais. Pelo menos três por semana estão sendo divulgadas. Discutem-se mais percentuais dos candidatos do que programas propriamente dito. Para se tentar entender melhor o que está em jogo, vale a pena mencionar o tipo de cobertura que vem sendo realizada pelos jornalões e telejornalões brasileiros. O jornal mais vendido do Rio de Janeiro, ostensivamente contra a candidatura de Dilma Rousseff, parece perder as estribeiras com a aproximação da data de 5 de outubro. Em cada edição o jornal da família Marinho se supera. No número da quinta-feira (28 de setembro) O Globo bateu o recorde de facciosismo. A manchete assinalava que “Dilma usa discurso na ONU para autoelogios”. E logo abaixo a publicação colocava que “Presidente se opõe à atuação contra o Estado islâmico”. Nem uma coisa nem outra. De quebra, a primeira página apareceu com uma grande foto do Presidente Barack Obama tendo no fundo a bandeira dos Estados Unidos e meio de lado a das Nações Unidas. O Globo provavelmente quis contemplar quem considera o dono da verdade e do mundo. E ainda por cima se diz imparcial. Dilma Rousseff não fez autoelogios, simplesmente reforçou na pauta, entre outras coisas, o fato de o Estado brasileiro ter conseguido nestes anos reduzir a fome e a miséria, conforme comprovam números da própria Organização das Nações Unidas. Bank Moon, o secretário geral da entidade se referiu também à questão do combate à fome. Fez bem, portanto a Presidenta brasileira em lembrar o fato. A Presidenta brasileira lembrou que ações militares como as que estão sendo desenvolvidas na Síria contra o chamado Estado Islâmico nada resolvem. Podem até num primeiro momento, parecer, para os Estados Unidos, que resolvem, mas depois a situação se deteriora ainda mais. Os exemplos da Líbia e do Afeganistão estão aí mesmo para comprovar. O Estado Islâmico, como já foi dito aqui neste espaço, se organiza a partir de forças terroristas que combatem o governo sírio. Estão cometendo barbaridades e na prática fazem exatamente o jogo do complexo industrial militar aprimorando armamentos e tendo cada vez mais lucros astronômicos. Obama entende que vai resolver o combate bombardeando a Síria, onde se abrigam os integrantes do Estado Islâmico. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que a TV Globo denomina aliança ocidental, que o diga. Bombardeou a Líbia, que hoje está deixando de ser até um país, até próspero como era antigamente. Para reforçar o visível rancor contra Dilma Rousseff, O Globo aciona os seus colunistas de sempre e convoca alguns outros, sobretudo para desancar contra a política externa. A família Marinho queria que o Brasil adotasse posição de total subserviência ao governo dos Estados Unidos, como se fazia na época do governo Fernando Henrique Cardoso. Aí dão espaço na página de opinião para o ex-Ministro do Exterior de FHC, Luiz Felipe Lampreia. Não fez por menos e também desancou contra, segundo ele, o “pendor ideológico” de Dilma Rousseff. Na verdade, a direita brasileira nunca se conformou com o fato de o Brasil ter ganho projeção internacional respeitável a partir do governo de Luís Inácio Lula da Silva. Os Lampreias, os FHC e seus seguidores queriam que o Brasil seguisse com a orientação de Washington de uma total subserviência que imperava naqueles tempos, para vergonha dos brasileiros. Vale também registrar neste espaço democrático que o mesmo rancor contra Dilma Rousseff se repete, talvez até em maior grau, contra a Presidenta argentina Cristina Kirchner. Ela em seu discurso na Assembleia Geral da ONU deixou claro que os responsáveis pela fome e miséria no mundo são também terroristas. Não há dúvidas a esse respeito. A Argentina vem sendo pressionada pelos abutres, que querem que o país vizinho se dobre às suas injunções. Aparece então Lampreia para criticar Cristina e Dilma porque não se dobram às injunções de Washington. E assim caminha as Organizações Globo, que tenta de todas as formas pautar a eleição presidencial com seus arrazoados que na prática objetivam fazer do Brasil um mero país defensor do capital financeiro e do complexo industrial militar. Por estas e muitas outras é necessário que a sociedade brasileira tenha o direito de ser informada sobre a questão midiática. Lamentavelmente, o tema praticamente inexiste entre os candidatos, até porque nos debates promovidos pelos canais de televisão privados, controlados pelos barões do setor, não aparece. A questão é fundamental para o aprimoramento do processo democrático, pois sem uma mídia democratizada a democracia na verdadeira acepção da palavra, isto é, com os diversos setores sociais tendo vez e voz em pé de igualdade, fica distante. Espera-se que a próxima Presidenta a ser eleita ou reeleita* não se dobre às pressões dos setores conservadores da mídia que tentam de todas as formas evitar que a democratização dos meios de comunicação nem debatido seja. (*) a próxima Presidenta está para ser decidida entre Dilma Rousseff, que se vencer será reeleita, e Marina Silva que se vencer será eleita. Os demais estão fora de cogitação. Não importa aqui conhecer o voto do autor destas linhas, pois o importante é informar como agem os veículos de comunicação conservadores, os mesmo que em tempos passados apoiavam intervenções militares com o apoio da CIA. Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil); preside a Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI – seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla (no prelo). Direto da Redação é um fórum de debates, do qual participam jornalistas colunistas de opiniões diferentes, dentro do espírito de democracia plural, editado, sem censura, pelo jornalista Rui Martins.
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