A Irmandade Muçulmana disse na quarta-feira que mais do que dobrou sua representação no Parlamento nos primeiros estágios da eleição legislativa egípcia. Dois terços das vagas ainda estão sendo disputadas.
A votação para as 444 vagas eletivas não deve acabar com o controle do Partido Nacional Democrático (PND) sobre o Parlamento, mas o bom desempenho da Irmandade mostra que o Islã é a maior força da oposição no Egito.
O líder parlamentar da Irmandade, Mohamed Habib, disse à Reuters que seus candidatos obtiveram 30 vagas nas disputas diretas de terça-feira, em geral contra candidatos do PND. Os políticos islâmicos já haviam conquistado quatro vagas sem a necessidade de segundo turno, na semana passada.
- O resultado confirma de forma inquestionável que o povo egípcio está ao lado da Irmandade e que a Irmandade realmente representa o grupo social e político mais forte do Egito, disse Habib.
O PND obteve 26 mandatos na semana passada e conquistou 12 vagas na votação de terça-feira, segundo os resultados parciais anunciados pela agência estatal de notícias Mena. Partidos laicos de oposição obtiveram três cadeiras por enquanto.
Oficialmente, a Irmandade é proscrita pela Justiça, mas o grupo aproveitou ao máximo a inédita tolerância das autoridades e fez campanha abertamente. Seus candidatos competem como independentes, para driblar a proibição.
A Irmandade apresentou 52 candidatos nos primeiros dois dias de votação e pretende disputar cerca de 110 das 280 vagas a serem decididas em quatro dias até dezembro, segundo Habib.
Com o lema "O Islã é a solução", a Irmandade Islâmica pretende adequar as leis egípcias às regras muçulmanas. Também defende maior liberdade política no Egito, governado desde 1981 pelo presidente Hosni Mubarak.
A Irmandade tem 15 deputados no atual Parlamento, eleito em 2000, quando forças de segurança detiveram alguns de seus ativistas e impediram seus seguidores de votarem.
O grupo islâmico não pôde participar da primeira eleição presidencial com vários candidatos, em setembro, devido às restrições impostas às candidaturas.
Mubarak, 77, obteve um novo mandato com facilidade. Para apresentar um candidato independente naquela eleição, a Irmandade teria de ter a aprovação de 65 deputados, além de conquistar vagas em outros órgãos eletivos.
Observadores, que neste ano tiveram um acesso sem precedente à eleição parlamentar, disseram que houve inúmeras violações da lei eleitoral por enquanto, inclusive o registro coletivo de funcionários de uma estatal num distrito onde eles não vivem. Monitores dizem que os eleitores são apanhados e levados às seções pelo PND. Subornos e intimidações também foram mencionados.
Mas a violência na eleição deste ano é bem inferior à de 2000, quando dez pessoas morreram.
Partidários de um candidato independente atacaram e queimaram um escritório do partido governista durante a noite em um bairro pobre do Cairo, segundo testemunhas e policiais.