Rio de Janeiro, 26 de Março de 2026

Eleição de Collor é fenômeno regional, diz analista político

A eleição de Fernando Collor de Mello como senador por Alagoas representa um fenômeno regional, e não a volta do ex-presidente ao cenário político nacional, na opinião de analistas ouvidos nesta segunda-feira. (Leia Mais)

Segunda, 02 de Outubro de 2006 às 09:38, por: CdB

A eleição de Fernando Collor de Mello como senador por Alagoas representa um fenômeno regional, e não a volta do ex-presidente ao cenário político nacional, na opinião de analistas ouvidos nesta segunda-feira.

- Ele vai tentar criar uma versão para sua vitória e dizer que os descamisados o colocaram de volta em Brasília, mas isso não é verdade. Não é a volta do caçador de marajás - diz o historiador e cientista político Marco Antonio Villa, professor da Universidade Federal de São Carlos.

O cientista político Octavio Amorim Neto, professor de Ciência Política da Escola de Economia da FGV, no Rio de Janeiro, também diz que a dimensão política de Collor é eminentemente local.
- Não tem nenhum significado para a política nacional - diz ele.

Os dois concordam que Collor deve se manter distante dos verdadeiros núcleos do poder de Brasíla, com uma atuação discreta no Senado.

- Ninguém vai querer se aproximar dele porque ele é um passivo político. E ele é inteligente o suficiente para saber disso - diz Amorim Neto.

Fim de ciclo

Para Villa, a eleição de Collor representa o fim de um ciclo na política brasileira.

- Os opostos de 1989 podem estar juntos em 2007. É o fim de um ciclo ideológico na política brasileira - diz ele, referindo-se à eleição em que Collor ganhou de Lula para presidente.

Eleito em 1989, Collor renunciou à Presidência em 1992 para evitar um impeachment, quando vieram à tona as denúncias de corrupção no seu governo. Ainda assim, teve os direitos políticos cassados pelo Senado até 2000.

Em 2002, perdeu a eleição para governador de Alagoas para Ronaldo Lessa, agora derrotado por Collor no Senado. "A vitória de Collor representa o desgaste do governo de Lessa", diz Villa.

A partir de 2007, Collor vai ocupar a vaga que era de Heloisa Helena, que preferiu disputar a eleição para presidente em vez de tentar a reeleição no Congresso.

- É uma ironia - diz Amorim Neto. Na semana passada, Heloisa Helena ficou irritada quando foi perguntada por um jornalista sobre como se sentia ao ver que Collor estava prestes a ocupar sua vaga no Senado.

Ela acusou Collor de estar sendo apoiado por Lula. Collor já declarou que votaria em Lula, mas Lula nunca apoiou publicamente Collor. O candidato da coligação de Lula no Estado teve pouco mais de 5% dos votos para senador. Com a cláusula de barreira, que estabelece restrições para os partidos que não atingiram 5% dos votos em todo o país, o PRTB, pelo qual Collor foi eleito, deve se fundir com outros partidos menores ou o senador pode migrar para um partido maior.

Explicações

Collor (PRTB) disse, nesta segunda-feira, que sua primeira aparição, na Tribuna do Senado, servirá para que ele explique o impedimento de 1992. Ele prometeu, no entanto, virar a página e enterrar esse episódio. Nos discursos que fez na campanha, chegou a dizer que iria revelar o nome de parlamentares que o procuraram, à época, para pedir dinheiro em troca do voto "não" para a cassação. Depois de conhecer o resultado das urnas, no entanto, mudou de idéia e disse que não quer gerar atritos com os parlamentares que articularam o seu impeachment.

- Meu pai dizia que quem não sabe virar a página não merece ler o livro. Espero ter uma relação republicana com as pessoas que tramaram aquilo tudo - diz ele.

Collor confirmou que não pensa, ainda, em uma nova candidatura à sucessão presidencial, em 2010, mas avisou que pode mudar de idéia.

- Quem sabe faltando 30 dias eu me decida? - disse, deixando o suspense aos eleitores.

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