Diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed ElBaradei não poupou críticas à gestão do presidente norte-americano George W. Bush. Ele disse, nesta sexta-feira, que a guerra no Iraque deve servir de lição para que os países não recorram ao uso da força antes de esgotar completamente os esforços diplomáticos. O egípcio afirmou que a agência, uma das principais instâncias das Nações Unidas (ONU), está aliviada por ter confirmado sua avaliação, de antes da guerra, de que não havia armas de destruição em massa no Iraque.
- Espero que todos aprendam com a situação do Iraque. Espero que as pessoas não se precipitem no futuro e usem armas... a não ser que estejam absolutamente seguras de que há um perigo claro e presente - disse ElBaradei após conferência no Ministério de Pesquisa e Tecnologia da Indonésia.
Os Estados Unidos e seus aliados invadiram o Iraque em 2003 alegando que o país tinha armas de destruição em massa, mas até o momento, nenhuma arma deste tipo foi encontrada.
- Lamento por quaisquer perdas de vidas civis como resultado da guerra. Sabemos que a guerra não resolve um conflito, na maioria dos casos complica a situação - disse ElBaradei.
Sobre o programa nuclear iraniano, ElBaradei afirmou que Teerã não deve ter pressa em relação ao seu programa de enriquecimento de urânio, uma vez que o país não tem nenhum reator atômico em operação. Ele defendeu a retomada das negociações com o Irã, argumentando que só sanções não são uma solução. O Irã rejeita a acusação ocidental de que está desenvolvendo armas nucleares, mas ignorou a ordem do Conselho de Segurança da ONU para suspender o programa de enriquecimento.
Seis potências mundiais - EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha - discutem atualmente uma resolução da ONU que imporia sanções à República Islâmica.