O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer "servir de colchão" entre os "países rebeldes sul-americanos e caribenhos e os Estados Unidos", conforme publicou em sua edição desta sexta-feira o jornal espanhol El País. O diário madrilenho afirma que o presidente brasileiro, "que se encontra dentro do país por causa dos escândalos políticos de corrupção", quer manter um "equilíbrio" entre as relações com os Estados Unidos e os governos de Cuba, Venezuela e Bolívia, triângulo autodenominado "eixo do bem" e que faz "campanha aberta anti-imperialista".
"A idéia de Lula, já desde o princípio do seu mandato, foi tentar ser um mediador crível entre a Casa Branca e os países rebeldes sul-americanos e caribenhos", escreve o correspondente do El País no Brasil, Juan Arias.
Segundo o diário, "essa postura de Lula ficou clara no recente encontro que manteve com 60 embaixadores em Brasília, no qual ele repassou as diretivas da política internacional brasileira". Segundo o correspondente, o presidente apontou como prioridade o seu apoio à política da América do Sul, sem se importar com os países que demonstram "maior conflito com os Estados Unidos".
De acordo com a matéria do correspondente, "Lula sempre tentou traduzir a Washington que não queria romper relações com Fidel Castro nem com Hugo Chávez ou, agora, com Evo Morales, presidente eleito da Bolivia, para servir, de alguma forma, como colchão entre eles e os EUA. Esta postura foi confirmada por Celso Amorim, ministro brasileiro das Relações Exteriores, um dos membros do governo a quem Lula mais escuta".
- Brasil é Brasil. Não temos porque nos preocuparmos com essas alianças. Temos uma política forte com a Bolívia e a Venezuela, além de excelentes relações com os Estados Unidos - teria dito o ministro em uma entrevista aqui no Brasil, à qual se refere o correspondente.
No entanto, analistas políticos citados na matéria do El País deduzem que Fidel Castro, Chávez e Morales não podem contar com Lula para uma campanha aberta antineoliberal ou contra o imperialismo norte-americano. "Lula continuará, portanto, com sua política de braços abertos a todos", conclui o diário.