Segunda, 04 de Novembro de 2013 às 13:35, por: CdB
Eike, ao lado de Dilma e Lobão, em situação difícil, politicamente, como o governador Sérgio Cabral
O empresário Eike Batista completou 57 anos, na noite passada, em meio à pior crise já enfrentada no antigo Império X. O industrial que já teve cerca de US$ 60 bilhões, mas a derrocada ocorre quando a petroleira OGX, considerada a joia da coroa de seu conglomerado, entrou com pedido de concordata na quarta-feira após terem fracassado as negociações com credores.
As outras empresas do grupo também enfrentam problemas de caixa. A OSX, empresa de construção naval, informou na última semana que também poderá exercer direito legal à recuperação judicial caso a administração da empresa considere a medida adequada para a continuidade dos negócios.
Segundo a agência norte-americana de dados econômicos Bloomberg, Batista ocupava, em março de 2012, o oitavo lugar na lista dos mais ricos do mundo, com um patrimônio estimado em US$ 34,5 bilhões (R$ 78 bilhões em valores atuais). Agora, teria uma fração disso: menos de US$ 500 milhões líquidos (R$ 1,1 bilhão), segundo estimativa de agosto. O fato, de acordo com reportagem publicada no diário conservador britânico Financial Times (FT), "envergonha a presidenta Dilma Rousseff".
Em entrevista ao The Wall Street Journal em setembro, Eike Batista afirmou que foi enganado por seus ex-executivos, o qual costumava a chamar de Dream Team (time dos sonhos), e disse ainda que seu mapa astral não o favorecia durante o anúncio de que a OGX não conseguiria produzir o que havia prometido e que até mesmo seus investidores o abandonaram muito rápido. Apesar da crise, dono do grupo EBX disse que voltará a ganhar dinheiro com suas empresas.
Principal estrela do tal 'time dos sonhos', o ex-ministro da Fazenda no governo FHC Pedro Malan é alvo de um processo por parte dos pequenos investidores do grupo e, recentemente, teve sua identidade revelada como o autor de notícias negativas, nem sempre factuais, em relação ao Brasil. Assim como Malan, a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie e o ex-ministro de Minas e Energia Rodolpho Tourinho também estão arrolados no processo. De acordo com o jornal britânico Financial Times, a acusação é de informação privilegiada.
De acordo com a publicação britânica, o grupo de cerca de 60 investidores minoritários, que alegam ter perdido até agora R$ 70 milhões com a queda no valor das ações do grupo de Eike, acusa o empresário de ter vendido 56 milhões de suas ações entre 7 e 13 de junho, dias antes de a OGX, petrolífera do grupo, ter anunciado a suspensão de atividades em três campos de petróleo - o que contribuiu para a queda seguinte de 35% do valor das ações da companhia. Batista e nenhum dos ministros citados no texto do Financial Times responderam à publicação a respeito de suas posições sobre o futuro processo.
Malan foi identificado por aparatos de inteligência em Brasília, sem qualquer relação com a Agência Brasileira de Informações (Abin), como a personagem que mais tem trabalhado para conectar os interesses da oposição ao governo federal a grandes publicações internacionais. Pedro Sampaio Malan hoje faz parte do Conselho de Administração do Itaú Unibanco.
O exemplo mais recente dessa costura foi publicado no fim de semana passado na revista britânica The Economist. Trata-se de uma reportagem sobre o processo político no Brasil, em que a publicação defende a “receita mineira” e o nome de Aécio Neves para o Palácio do Planalto. Malan é um dos principais conselheiros econômicos de Aécio, assim como o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.
Antes dessa reportagem, a mesma Economist que havia feito uma capa sobre a decolagem do Brasil, no início do governo Dilma, já havia dado outras demonstrações de uma guinada em sua política editorial. Recentemente, a revista pediu, com todas as letras, a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, como única medida capaz de garantir a reeleição da presidente Dilma Rousseff.
A Economist foi também seguida pelo jornal inglês Financial Times, que, além de pregar a renúncia do ministro Mantega, também abriu espaço para que o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setúbal, reclamasse da política econômica no Brasil e de supostas mudanças constantes nas regras do jogo.
Ministro da Fazenda num momento em que o Brasil tinha poucas reservas internacionais e foi três vezes ao Fundo Monetário Internacional, Malan conquistou muito prestígio junto aos círculos financeiros internacionais. A aproximação com o Unibanco se deu quando o banco dos Moreira Salles obteve autorização para incorporar a chamada parte boa do extinto Nacional. E quanto o Unibanco se fundiu com o Itaú, Malan foi guindado ao Conselho de Administração.
"Discreto, o ex-ministro da Fazenda pouco fala com a imprensa, mas suas movimentações internacionais já dispararam o alarme em Brasília. Já sabe, por exemplo, que a agenda da oposição rumo ao Planalto passa por questões como a suposta estagflação (crescimento baixo e inflação alta), o desempenho da Petrobras e a estratégia do BNDES de fomentar 'campeões nacionais”, segundo o jornal virtual 247.
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