No 14º dia de manifestações de protesto pró-derrubada da ditadura do general Hosni Mubarak no Egito, o país vê-se diante da manutenção do impasse que impossibilita, também ao mundo, ter uma análise precisa, ou uma previsão sobre o desfecho exato da crise.
Pelo impasse criado pela ditadura no país os egípcios vêem-se diante de uma de duas opções: têm pela frente, montada e pretendida pela ditadura, uma transição lenta segura e gradual, nos moldes da imposta ao Brasil pelo general-presidente Ernesto Geisel, lembram-se?
Uma transição sob controle dos órgãos de segurança do regime, com Hosni Mubarack na presidência e o Parlamento atual funcionando, mais a realização de eleições controladas - ainda que sem o estado de emergência - e com novas regras e leis. Ou seja, mudar, para não mudar nada.
Ou, então, os egípcios insistem em uma ruptura com a renúncia de Mubarack, a dissolução do parlamento e eleições livres com uma nova legislação sem restrições e controle. Ou seja, insistem numa ruptura para mudar e fazer reformas democráticas, políticas e sociais, entre elas as dos órgãos de segurança e das Forças Armadas.
Núcleo do poder, as Forças Armadas, são intocáveis
Mas, esta ruptura é tudo o que os Estados Unidos e Israel não querem. Eles podem até aceitar que a família de Mubarak - inclusive seu filho Gamal, escolhido por ele para sucedê-lo - seus ministros e a direção de seu partido, que exerciam o poder, sejam investigados e respondam perante a justiça pelos crimes e pela corrupção do regime ditatorial dos últimos 30 anos.
Não permitem, no entanto, que seja investigado e julgado o núcleo do poder, as Forças Armadas e os órgãos de inteligência, coração do controle da ditadura. Querem e lutarão de todas as maneiras para que este núcleo sobreviva para manter os interesses americanos na região e o status quo que favorece Israel.
Nunca é demais lembrar que esta não é uma situação política criada só pelos militares egípcios. São condições impostas por eles mas, também, pela ação (ou falta de ação) dos Estados Unidos e das potências ocidentais que há décadas sustentam as ditaduras egípcias.
Egito: ruptura ou mudar para ficar tudo igual
Segunda, 07 de Fevereiro de 2011 às 08:35, por: CdB