Egito rejeita pedido dos EUA por mudanças imediatas
O ministro do Exterior do Egito, Ahmed Aboul Gheit, rejeitou nesta quarta-feira o que chamou de tentativas do governo norte-americano de impor sua vontade sobre o governo egípcio. Gheit disse ter ficado “atônito” ao saber das declarações do vice-presidente norte-americano Joe Biden, que havia pedido que o governo egípcio suspendesse imediatamente o estado de emergência em vigor há 30 anos no país.
Quinta, 10 de Fevereiro de 2011 às 08:51, por: CdB
O ministro do Exterior do Egito, Ahmed Aboul Gheit, rejeitou nesta quarta-feira o que chamou de tentativas do governo norte-americano de impor sua vontade sobre o governo egípcio.
Em entrevista à rede de TV norte-americana PBS, Gheit disse ter ficado “atônito” ao saber das declarações do vice-presidente norte-americano Joe Biden, que na noite de terça-feira havia pedido que o governo egípcio suspendesse imediatamente o estado de emergência em vigor há 30 anos no país.
– Eu fiquei realmente atônito, porque neste momento, enquanto falamos, há 17 mil prisioneiros soltos nas ruas após escapar de prisões que foram destruídas. Como vocês podem me pedir para dissolver o estado de emergência enquanto estou em dificuldades? –, disse o ministro.
Ao ser questionado sobre se os pedidos do governo norte-americano por mudanças imediatas e significativas eram "um conselho útil de um amigo", o ministro respondeu que “de maneira alguma”.
– Quando vocês falam de rápido, imediato, agora. vocês estão impondo sua vontade (sobre o Egito).” Ele afirmou, no entanto, que acredita que as boas relações entre Estados Unidos e Egito vão continuar.
Segundo o ministro, o governo do Egito já traçou um plano para a implementação de reformas e esse projeto está indo adiante, mas precisa de tempo.
Casa Branca
Também nesta quarta-feira, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que o governo do Egito deve “fazer mais” para atender às exigências da população e que as medidas tomadas até agora não atingem nem mesmo o limite mínimo exigido pelos manifestantes.
– Eu acho que o processo de transição não parece estar alinhado com o povo do Egito –, disse Gibbs, em Washington.
– Nós acreditamos que mais deve ser feito. E, mais importante, eu penso que o povo do Egito acredita que mais deve ser feito –, afirmou.
Segundo Gibbs, enquanto o governo egípcio não tomar medidas “concretas” os protestos vão continuar.
O porta-voz da Casa Branca disse ainda que os Estados Unidos estão revisando seu programa de ajuda ao Egito e que a moderação do governo egípcio e a implementação de reformas irão determinar o futuro do programa.
O Egito recebe dos Estados Unidos mais de US$ 1 bilhão por ano em assistência, grande parte destinada ao setor militar.
Protestos
Nesta quarta-feira, centenas de milhares de manifestantes voltaram a tomar as ruas da capital egípcia no 16º dia consecutivo de manifestações pela saída do presidente Hosni Mubarak.
Os manifestantes ocuparam a Praça Tahrir, onde têm sido realizados protestos diários, e também promoveram uma manifestação pacífica na rua do Parlamento egípcio.
À noite, eles fizeram uma vigília na praça, em homenagem aos que foram mortos durante as manifestações. A ONU estima que cerca de 300 pessoas já morreram desde o início dos protestos.
Também foram registradas greves em vários pontos do país. No Canal de Suez, cerca de 6 mil trabalhadores estatais paralisaram suas atividades.
Na cidade de Kharga, a cerca de 500 km ao sul do Cairo, pelo menos uma pessoa morreu em choques entre manifestantes e a polícia.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.