Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2026

Egito: protesto contra Mubarak já reúne 200 mil pessoas nesta terça-feira

Mais de 200 mil egípcios começaram a se concentrar nesta terça-feira na praça Tahrir, no centro do Cairo, para uma grande manifestação contra o presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos. Os organizadores esperam trazer 1 milhão de pessoas para o evento.

Terça, 01 de Fevereiro de 2011 às 09:44, por: CdB
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Mais de 200 mil egípcios começaram a se concentrar nesta terça-feira na praça Tahrir, no centro do Cairo, para uma grande manifestação contra o presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos. Os organizadores esperam trazer 1 milhão de pessoas para o evento. Os manifestantes se sentem mais confiantes depois de o Exército ter prometido, na véspera, que não iria abrir fogo contra manifestantes pacíficos. Analistas dizem que o destino de Mubarak agora está nas mãos dos militares, no que pode ser a maior reviravolta política no país desde que o Exército depôs o rei Fahrouk, em 1952. "Mubarak, vá para a Arábia Saudita ou o Bahrein", "Não te queremos, não te queremos", gritavam homens, mulheres e crianças na multidão que começou a se formar nas primeiras horas do dia. "Revolução, revolução até a vitória", entoavam alguns. As cenas na praça Tahrir (Libertação) contrastam com as imagens de sexta-feira, quando a polícia usou cassetetes, gás lacrimogêneo e jatos de água contra os manifestantes. Há rumores de que os manifestantes irão em passeata até o palácio presidencial, mas até o meio dia a multidão não havia se movido da praça, e muita gente continuava chegando. Inicialmente desorganizado, os protestos contra Mubarak estão gradualmente se consolidando em um movimento reformista que abrange muitos setores da sociedade egípcia. Jovens e desempregados se misturam a membros do grupo islâmico Irmandade Muçulmana; pobres urbanos dão as mãos em solidariedade com médicos e professores. - Estamos pedindo a derrubada do regime. Temos uma meta, que é retirar Hosni, nada mais. Nossos políticos precisam intervir e formar coalizões e comitês para propor um novo governo -, disse o engenheiro de computação Ahmed Abdelmoneim, 25 anos. Fotos de Mubarak, que a exemplo de todos os seus antecessores foi um oficial militar de alta patente, eram penduradas nos semáforos, simulando um enforcamento. PRESIDENTE AUSENTE Mubarak não se manifesta ao país desde sexta-feira, quando demitiu seu gabinete. Na segunda-feira, o recém-nomeado vice-presidente Omar Suleiman anunciou uma proposta de diálogo com todas as forças políticas. O fato animou ainda mais os manifestantes. - A revolução não vai aceitar Omar Suleiman, nem por um período de transição. Queremos um novo líder democrática -, disse Mohamed Saber, membro da Irmandade Muçulmana. - Somos muito pacientes, podemos ficar aqui por muito tempo... Nos últimos 30 anos este regime tirou o pior de nós. Agora todos estão se manifestando. Antes, todos eram negativos e passivos -, disse o funcionário público Mahmoud Ali, 42 anos. Mas não está claro o que virá depois de Mubarak caso ele renuncie. A oposição egípcia se fragmentou e enfraqueceu sob o atual regime. A Irmandade Muçulmana, embora oficialmente ilegal, tem a maior penetração popular, com seus projetos sociais e de saúde. O grupo diz defender um Estado islâmico pluralista e democrático. - Nosso país tem muita gente capaz de ser presidente -, disse o advogado Essam Kamel, 48, que no entanto rejeitou a figura do Nobel da Paz Mohamed El Baradei, que se ofereceu para comandar o país interinamente. Mas Kameol acrescentou: - Somos muçulmanos, mas não desejamos um governo islâmico.
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