Oposição egípcia considera insuficientes propostas de reforma
As reformas propostas pelo regime do presidente egípcio, Hosni Mubarak, para superar a crise política no país são "insuficientes", considerou neste domingo a Irmandade Muçulmana, principal força de oposição no Egito. O dirigente da Irmandade, Saad Katatni, disse que as propostas apresentadas na reunião pelo vice-presidente Omar Suleiman e outros representantes políticos "não são suficientes" e que o encontro “foi apenas um primeiro passo".
Domingo, 06 de Fevereiro de 2011 às 15:05, por: CdB
As reformas propostas pelo regime do presidente egípcio, Hosni Mubarak, para superar a crise política no país são "insuficientes", considerou neste domingo a Irmandade Muçulmana, principal força de oposição no Egito. O dirigente da Irmandade, Saad Katatni, disse que as propostas apresentadas na reunião pelo vice-presidente Omar Suleiman e outros representantes políticos "não são suficientes" e que o encontro “foi apenas um primeiro passo".
Também opositor do regime, Mohamed ElBaradei, que regressou ao país para apoiar os jovens que iniciaram a revolta contra Hosni Mubarak, disse que não foi convidado para o diálogo entre a Irmandade Muçulmana e o governo. Ele descreveu as discussões como "opacas".
– Não fui convidado para participar das negociações, neste diálogo, mas sigo o que está acontecendo – disse ElBaradei.
As negociações entre o governo egípcio e a Irmandade Muçulmana começaram neste domingo. Além da irmandade participaram das negociações os partidos Wafd (liberal) e Tagammou (esquerda), membros de um comitê escolhido por grupos pró-democracia.
Desde 25 de janeiro, manifestantes fazem protestos nas ruas e exigem que o presidente egípcio, Hosni Mubarak, deixe o poder. Mubarak, de 82 anos, recusa-se a renunciar, deixando assim o seu governo em um impasse com milhares de manifestantes que estabeleceram um acampamento no centro do Cairo.
Demônios egípcios
O novo vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, buscou demonizar a opositora Irmandade Muçulmana em seus contatos com funcionários do governo norte-americano, indica a correspondência diplomática vazada pelo serviço anti-segredo WikiLeaks. Isso levanta dúvidas sobre se ele pode atuar um fiador honesto para a crise política enfrentada no país.
As mensagens de embaixadas dos Estados Unidos divulgadas pelo WikiLeaks em maio com 250 mil documentos do Departamento de Estado norte-americano, que a agência inglesa de notícias Reuters revisou de forma independente, também mostram que o ex-chefe de inteligência acusou a Irmandade Muçulmana de incentivar extremistas armados e avisou em 2008 que se em algum momento o Irã apoiasse o grupo islâmico, Teerã se transformaria em "nosso inimigo".
A revelação vem justamente no momento em que Suleiman promove encontros com grupos de oposição, incluindo o grupo oficialmente banido Irmandade Muçulmana, para explorar formas de acabar com a pior crise política no Egito em décadas.
Washington tem atuado para acelerar a renúncia do presidente Hosni Mubarak, incluindo um cenário que prevê a passagem de poder para um governo de transição liderado por Suleiman e apoiado por miltares.
Mubarack, que governou sem um vice-presidente por 30 anos, rapidamente nomeou Suleiman, de 74 anos, como seu vice em 29 de janeiro à medida em que os manifestantes pediam a renúncia do líder autocrático.
O desdém privado de Suleiman pela Irmandade não surpreenderá os egípcios, acostumados com o discurso anti-islâmico do governo de Mubarak. Os comentários podem levantar suspeitas, entretanto, já que ele busca trazer o grupo, banido há muito tempo, para um amplo diálogo de reformas em resposta aos protestos em massa.
O governo de Mubarak vinha citando há muito tempo a ameaça islâmica para justificar seu governo autoritário. Uma preocupação mais forte para Washington e seu aliado, Israel, entretanto, é o que acontecerá ao tratado de paz de 1979 entre o Egito e o estado judaico se a Irmandade ganhar espaço na era pós-Mubarak.
Em alguns dos cabos Suleiman aparece adotando uma linha dura sobre Teerã e referindo-se aos iranianos como demônios
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