O Egito lidera a lista de países árabes que criticaram Israel nesta quarta-feira, lembrando que a tentativa de assassinato de um líder do grupo radical islâmico Hamas aconteceu no momento em que um mediador do Cairo tentava conseguir uma trégua com os radicais palestinos. O ataque israelense "representou um choque brutal porque ocorreu num mau momento", declarou o presidente egípcio Hosni Mubarak, durante uma entrevista à imprensa junto com o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. O Egito enviou seu emissário especial - o chefe do serviço de inteligência, Omar Suleiman - aos territórios palestinos para tentar resolver o problema crônico dos atentados. O ministro egípcio das Relações Exteriores, Ahmed Maher, afirmou que o ataque israelense de ontem "faz parte das tentativas de Israel de entorpecer o processo de paz e fazer fracassar qualquer esforço sério que permita um acordo entre facções palestinas". Negociações - Israel sabe perfeitamente que estavam em curso negociações com grupos palestinos para se chegar a uma trégua e a uma interrupção das operações suicidas - acrescentou, numa declaração à rádio egípcia. O governo israelense admitiu na noite da última terça-feira que tentou liqüidar um dos principais líderes do Hamas, o movimento radical palestino, Abdelaziz al-Rantisi, durante um bombardeio com helicópteros em Gaza. Em Ramallah (Cisjordânia), o general Suleiman se encontrou com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Iasser Arafat, e seu primeiro-ministro palestino Mahmud Abbas. O ministro palestino da Informação, Nabil Amr, anunciou que o general Suleiman estava encarregado de impulsionar uma trégua de acordo com o "mapa da paz", o plano internacional que prevê a criação de um Estado palestino até 2005. No entanto, não está previsto nenhum encontro entre o emissário egípcio e os dirigentes do Hamas. Sem trégua Um dirigente do movimento islâmico reiterou nesta quarta-feira que as negociações para uma trégua já não eram possíveis depois da tentativa de assassinato de Rantissi. - Não há lugar para conversações sobre uma trégua com os sionistas depois da tentativa de assassinato de Abdelaziz Al-Rantisi e a escalada israelense contra o povo palestino - declarou Ismail Haniyeh. O líder do Hamas não descartou o prosseguimento das conversações com Abbas, mas reiterou que a continuação da Intifada não era uma questão negociável. Em Amã, o jornal em inglês Jordan Times acusou Israel de "reativar o ciclo da violência". - Os assassinatos políticos e os atentados contra os líderes como Abdelaziz Al Rantissi só dão mais força ao Hamas e fazem o jogo dos grupos extremistas - diz o jornal. - Cada vez que os palestinos dão um passo para a paz, Israel torna mais incisiva sua atitude terrorista - destaca um editorial do jornal Al Rai. Ameaça ao plano de paz Outros diários do golfo Pérsico consideraram que a tentativa de eliminar Rantisi representa uma tentativa de criar obstáculos ao "mapa da paz". O primeiro-ministro israelense Ariel "Sharon aplicou um golpe decisivo no 'mapa da paz'", escreveu o jornal de Qatar Al Raya. O "Al Bayan", dos Emirados, estimou que com esta atitude o Estado hebreu pretendeu "assassinar deliberadamente o 'mapa da paz'". Na Arábia Saudita, o "Al Jazeera" escreveu que a tentativa de eliminar Rantisi "foi dirigida contra o processo de paz e o diálogo inter-palestino". No Líbano, o "Al Nahar" publicou que Israel "entorpeceu os esforços voltados para a aplicação do 'mapa da paz' e as tentativas de convencer os partidos palestinos a uma trégua". "Os mísseis israelenses não acertaram Rantisi mas o mapa da paz" - foi o título do jornal As Safir.
Egito lidera as críticas árabes contra a atitude de Israel
Quarta, 11 de Junho de 2003 às 13:36, por: CdB