O Egito - e já uma parte do Oriente Médio - está em chamas. As multidões de manifestantes rebeladas pró-derrubada do presidente Hosni Mubarak tomaram as ruas e delas não saem nem de madrugada. E a mídia toda, mas a nossa em particular, dá um tratamento, para definir com a maior boa vontade, no mínimo morno.
A comunidade internacional tem que exigir a renúncia de Mubarack. Por que isso não é cobrado pela imprensa? Onde estão os jornais e articulistas, sempre tão ciosos de seu liberalismo e tão defensores da democracia que não existe há décadas no Egito? Em nome da estabilidade (!) política na região - leia-se, da preservação dos interesses ocidentais, em particular os dos Estados Unidos - tudo pode e tudo é válido. É por isto este silêncio, a omissão sobre a real situação? Ou é cumplicidade?
Onde estão a Sociedade Interamericana de Imprensa, a tão vigilante SIP, o Estadão e a Anistia Internacional? A ditadura egípcia impõe censura à imprensa e às liberdades públicas em geral no Egito em todo período de 30 anos de governo Mubarak e nos de antes, de Anuar Sadat, Gamal Abdel Nasser...
É hora de deter o uso das Forças Armadas e da polícia egípcia financiadas pelos Estados Unidos contra o povo. E de parar de acenar com o fantasma do fundalentalismo islâmico, com o qual estão acenando no Egito e nos países do Magreb (região em que se concentram os mais pobres países do Norte da África e do Oriente Médio, ditaduras e agora, conflagrados) caso caiam as ditaduras podres da região.
Sabem o que acontece e porque esse comportamento? É porque lá se concentram agora as velhas e conhecidas revoltas populares, rebeliões e revoluções. São as mudanças inevitáveis que assustam. O Ocidente as teme e não as quer, já que se apoia nesses governos autoritários, de força e de exceção, ditatoriais, para manter o status-quo e defender seus interesses - econômicos e geopolíticos principalmente.