>
16/02/2011Egípcios querem melhoria da qualidade de vida e mantêm protestos
Da Agência Lusa
Brasília - Os egípcios ainda permanecem em aglomerações e pequenas manifestações nas ruas das principais cidades do país. Depois da renúncia do presidente Hosni Mubarak, os manifestantes intensificaram os protestos em defesa de aumentos salariais e melhorias das condições de trabalho. O apelo do Exército para que voltassem à normalidade não surtiu efeito sob os manifestantes.
A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, anunciou que na próxima terça-feira (22) chega ao Cairo para conversar com os integrantes da junta militar responsável pelo governo provisório. Antes da saída de Mubarak, ela tentou visitar o Egito, mas recebeu um comunicado recomendando que não viajasse.
Os 27 integrantes da União Europeia informaram estar dispostos a ajudar o Egito a preparar as eleições presidenciais previstas para setembro. Paralelamente, a UE analisa o pedido das autoridades egípcias para congelar os bens de Mubarak e outras autoridades ligadas a ele e ao antigo governo.
Ao longo do dia hoje (16) foram registradas paralisações e concentrações no Delta do Nilo, nas cidades ao longo do Canal do Suez, no Cairo e na segunda maior cidade do país, que é Alexandria.
Os bancos reabriram suas portas, mas a Bolsa de Valores do Cairo informou que só retornará às atividades no próximo domingo (20).
Depois da suspensão da greve marcada para o último domingo (13), os empregados da maior fábrica do Egito voltaram ao protesto para exigir aumentos salariais e melhores condições de trabalho, um dia depois do Exército ter alertado para as consequências “desastrosas” de uma nova contestação social.
Uma greve estava também em curso numa outra grande fábrica têxtil, em Helwan, nos arredores do Cairo. Em Ismaïliya, no Canal do Suez, os empregados dos serviços públicos de irrigação, educação e saúde reivindicam melhores salários.
Cerca de 40% da população do Egito vivem abaixo do limite da pobreza, tendo como renda média per capita US$ 2 por dia. O salário mínimo, fixado no ano passado em US$ 70, é considerado insuficiente. Ontem (15) os militares que ocupam o governo provisório apelaram à comunidade internacional para apoiar a economia do país.
Durante a onda de protestos, as autoridades estimam que houve, em média, perda de US$ 310 milhões por dia, segundo o banco Crédit Agricole, que baixou as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Egito, em 2011, de 5,3% para 3,7%.