O chanceler do Egito, Ahmed Abul Gheit, defendeu a criação de um sistema econômico internacional "baseado na justiça e não na força", como desdobramento da primeira Cúpula América do Sul-Países Árabes.
O representante do Egito foi o mais aplaudido dos sete oradores da primeira reunião plenária dos chefes de Estado e de Governo dos 22 países árabes e 12 nações sul-americanas, ao final da manhã dessa terça-feira num hotel em Brasília.
Além do chanceler egípcio, falaram representantes do Barein, Paraguai, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia, Marrocos e Venezuela.
- O sistema de investimentos globais oferece muitas oportunidades, mas o problema é que seus frutos são monopólio de minorias - disse Ahmed Abul Gheit.
- É preciso ampliar a base desse sistema.
O representante do Egito propôs uma nova ordem econômica tendo antes o cuidado de circunscrever a cúpula aos temas do comércio multilateral, da cooperação comercial, nos investimentos e na transferência de tecnologia. Ele recordou que "há vários outros fóruns" para tratar de outros temas além dos explicitamente propostos para a cúpula.
Feita a ressalva, Ahmed Abul Gheit defendeu um sistema mundial de comércio "aberto, multilateral, sob regras legítimas e justas". Afirmou que um das consequências da cúpula deve ser o avanço na criação de um sistema de regras comerciais capaz de "levar em conta os interesses dos países em desenvolvimento" e até "dar preferência" às necessidades e interesses desses países.
O representante egípcio mencionou as iniciativas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para combater a fome em nível internacional.
- Queremos acabar com a pobreza, levar a todos as vantagens da globalização - afirmou.
A inciativa brasileira de combate mundial à fome também foi mencionada pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Saud Al-Faisal. Ele recordou que seu país destina donativos para programas sociais em 73 países.
O tema central da primeira reunião plenária da cúpula foi Cooperação birregional através do comércio, investimentos e negócios.
Na segunda reunião plenária, marcada para aparte da tarde, o tema central é Diálogo político e intercâmbio cultural, com intervenções previstas dos representantes de Argentina, Palestina, Paraguai, Líbano, Uruguai, Síria, Guiana, Tunísia, Emirados Árabes Unidos, Egito e Marrocos.
Egípcio segue linha de Lula e defende economia mais justa
Terça, 10 de Maio de 2005 às 14:49, por: CdB