Rio de Janeiro, 21 de Agosto de 2026

Efeitos da volta de Baby Doc ao Haiti são imprevisíveis, diz comandante da tropa brasileira

Segunda, 17 de Janeiro de 2011 às 12:35, por: CdB

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17/01/2011Efeitos da volta de Baby Doc ao Haiti são imprevisíveis, diz comandante da tropa brasileira

Luciana Lima*
Enviada especial da Agência Brasil

Porto Príncipe – O comandante do 1º Batalhão Brasileiro no Haiti, coronel Ronaldo Lundgren, disse que a volta do ex-ditador Jean-Claude Duvalier, conhecido como o Baby Doc, ao país foi uma “surpresa” para todos e que os efeitos de sua presença em território haitiano país ainda são imprevisíveis.

“Não sabemos ainda como isso vai impactar, porque não sabemos se ele continua com a mesma influência. Mas que alguma coisa vai mudar, a gente tem certeza”, afirmou Lundgren, atual comandante da tropa brasileira Brasil, que está no Haiti desde 2004. “Ele é mais um ator desse contexto político”, disse o coronel.

Baby Doc chegou à capital, Porto Príncipe, ontem (16) à noite, em um voo da Air France. No aeroporto, ele foi recebido por centenas de simpatizantes. Com 59 anos, o ex-ditador disse, ao chegar, que quer ajudar na reconstrução do país após o terremoto do ano passado, que deixou cerca de 300 mil mortos.

No entanto, a volta de Baby Doc ao país, após 25 anos de exílio na França, preocupa, porque ocorre num momento de tensão política, devido à suspeita de fraude no primeiro turno das eleições presidenciais e indefinições em relação à realização do segundo turno e da perspectiva de um vazio político, já que o mandato do atual presidente, René Preval, acaba no dia 7 de fevereiro. Já há um entendimento de que o mandato de Preval poderá ser prorrogado até 14 de maio, como permite a legislação haitiana, até a conclusão do processo eleitoral.

Hoje de manhã, o batalhão brasileiro aumentou seu contingente em 150 homens, que vão atuar no patrulhamento de áreas próximas ao aeroporto. No entanto, diz o comandante, essa ação, denominada Bom Dia, População, não é motivada pela volta de Baby Doc.

O objetivo é assegurar a integridade do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que também está em Porto Príncipe para apresentar às autoridades presentes no país a avaliação deste organismo sobre as eleições haitianas.

A expectativa é que, dessas conversas, saiam hoje os nomes dos candidatos que vão participar do segundo turno das eleições. Insulza se reunirá com o presidente René Preval, e o primeiro-ministro, Jean-Max Bellerive, além de autoridades do Conselho Eleitoral Provisório (CEP) e o chefe da Missão de Observação Eleitoral, Colin Granderson.

Em 1971, Baby Doc herdou o poder de seu pai, o também ditador François Duvalier, conhecido como Papa Doc. Ele enfrentou uma insurreição popular em 1986 e partiu para a França com a família.

Hoje, a Anistia Internacional pediu às autoridades do Haiti que processem judicialmente Baby Doc por crimes contra a humanidade. O atual presidente, René Préval, já disse anteriormente que o ex-ditador seria preso caso voltasse ao país.

*A repórter viajou a convite do Ministério da Defesa
Edição: Nádia Franco

 

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