O "efeito Severino", como ficou conhecida a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao discurso do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), em que dava um ultimado ao governo, na tentativa de nomear um integrante de seu partido, interrompeu a reforma ministerial nesta terça-feira, com a nomeação de apenas dois novos integrantes para seu gabinete.
- Está na mesa o deputado Ciro Nogueira, que hoje será sacramentado pelo presidente da República, porque, se o presidente não assinar a indicação do Ciro, amanhã o PP poderá ser o aliado do PFL. Ou teremos um ministro, ou tomaremos uma posição diferente - disse Severino. O resultado desta declaração saiu no final da manhã.
O deputado Paulo Bernardo (PT-PR) anunciou que será o titular do Ministério do Planejamento e, no Ministério da Previdência Social, o senador Amir Lando (PMDB-RO) será substituído por Romero Jucá, também senador peemedebista, do Estado de Roraima.
- Acabei de falar com o presidente, ele me convidou e me informou que estava fazendo a nomeação - disse Paulo Bernardo, que tomou posse na tarde desta terça.
O ministro indicado afirmou que tentará convencer o interino Nelson Machado a ocupar a secretaria-executiva do Ministério.
- Eu preciso conversar com ele ainda - disse.
A posse de Jucá também aconteceu na tarde desta terça, no auditório do ministério.
O senador Romero Jucá Filho cumpre o seu segundo mandato como senador por Roraima. Filiado ao PMDB, é vice-líder do governo no Senado Federal. Foi o relator da reforma tributária no Senado em 2003, e no ano seguinte, relator do Orçamento Geral da União para 2005 no Congresso Nacional. É considerado um grande articulador político, razão pela qual tem sido escolhido para relatar matérias consideradas prioritárias para o Executivo.
Romero Jucá tem 50 anos e é casado com Teresa Jucá, prefeita de Boa Vista (RR), e tem cinco filhos. É formado em Economia pela Universidade Católica de Pernambuco e tem pós-graduação em Engenharia Econômica na mesma Universidade.
Ambiente tenso
A irritação do presidente com as declarações do deputado Severino Cavalcanti ficou perceptível na decisão de Lula suspender a reforma que, até a intervenção do presidente da Câmara, estava desenhada com Ciro Gomes (Integração Nacional) no Ministério da Saúde, no lugar de Humberto Costa (PT-PE); a senadora Roseana Sarney (PFL-MA) na Coordenação Política; e Ciro Nogueira na Integração Nacional. Para a Coordenação Política, estava cotado ainda o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP).
A interlocutores, o presidente afirmou que realizará apenas estas alterações em seu ministério e que suspenderia a discussão sobre a reforma devido ao "efeito Severino"
Participaram da reunião com Lula o presidente do Senado, Renan Calheiros, o líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR), o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), o senador José Sarney (PMDB-AP), o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), o ministro da Previdência, Amir Lando, e o ministro da Casa Civil, José Dirceu.