Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Educação na 'Nuestra América' de José Martí

José Julían Martí y Pérez (1853-1895) nasceu na cidade de Havana em 1853. Desde jovem, já havia começado a se envolver na luta pela independência de Cuba contra a Espanha. Com apenas dezesseis anos de idade, foi preso por sua participação no movimento independentista.

Quarta, 13 de Novembro de 2013 às 19:02, por: CdB
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Martí lutou pela independência de Cuba
José Julían Martí y Pérez (1853-1895) nasceu na cidade de Havana em 1853. Desde jovem, já havia começado a se envolver na luta pela independência de Cuba contra a Espanha. Com apenas dezesseis anos de idade, foi preso por sua participação no movimento independentista. Foi deportado para a Espanha, tendo vivido lá entre 1871 e 1874 e se formado em Direito, Filosofia e Letras na Universidade de Madrid e Saragoça. Voltou para o continente americano em 1875 e entre este ano e 1881 viveu em diferentes países; México, Guatemala e Venezuela. Por conta da ocorrência de divergências políticas com os governos destes países, ele opta pelo exílio em Nova York, onde fixou residência em 1881. Ele viveu nesta cidade até 1895, ano de sua morte, que ocorreu em Dos Rios durante uma batalha da guerra pela independência de Cuba que foi iniciada no mesmo ano. Foi dos Estados Unidos que Martí articulou a fundação do PRC (Partido Revolucionário Cubano) em 1892 entre as comunidades de cubanos exilados. Foi um escritor prolífico de cartas, poemas, peças de teatro, ensaios e crônicas jornalísticas publicadas nos periódicos hispano-americanos mais importantes de sua época. Em primeiro lugar, gostaria de situar a trajetória que me levou a iniciar esta pesquisa sobre o pensamento político e pedagógico deste intelectual. Comecei a pesquisar o pensamento de Martí ainda na graduação, no âmbito do PEA (Programa de Estudos Americanos) na UFRJ, sob a orientação do professor Fernando Castro. Minhas investigações começaram com o interesse em compreender a construção sobre a identidade latino-americana no âmbito do discurso político martiano. Esta preocupação, bastante abrangente, foi o ponto de partida desta atual pesquisa. A educação foi, de fato, um tema sobre o qual se debruçou toda uma geração de intelectuais preocupados em discutir os caminhos e dilemas da modernização das nações na América Latina. Os diferentes projetos educativos elaborados fizeram parte da discussão mais ampla acerca da construção das nações no século XIX. O notável instrutor do libertador Simón Bolívar, Simón Rodriguez, alertou que “a América não deve imitar servilmente, senão ser original”, e que “originais hão de serem suas instituições e seu governo, e originais os meios de fundar uma e outra. Ou inventamos ou erramos”. O desafio de se pensar as instituições das nações americanas incluiu notadamente o problema educativo e José Martí foi um intelectual que decididamente atrelou a condição da liberdade política de um povo à sua capacidade de elaborar em moldes originais sua cultura, literatura e instituições. Este pensamento está incluso no famoso ditado martiano: “Ser culto é o único modo de ser livre”. As crônicas martianas sobre a educação, publicadas na imprensa em diversos países do continente americano e durante diferentes momentos da sua trajetória política, constituíram o eixo temático fundamental da pesquisa. Ela teve, portanto, um corte temporal amplo, de 1875 até a primeira metade da década de 1890, organizada por um eixo temático, com o objetivo de contextualizar os ensaios sobre a educação em relação aos diferentes contextos políticos e linguísticos envolvidos. Ao investigar o ideário pedagógico de Martí pudemos verificar que este ideário esteve indissoluvelmente ligado a suas ideias políticas. A educação foi pensada enquanto parte de um projeto de desenvolvimento para a América Latina. A preocupação de que as nações latino-americanas constituíssem sua modernidade de forma autônoma o fez buscar soluções criativas para o problema educativo na América Latina. A educação fez, portanto, parte da reflexão sobre a constituição das identidades dos povos latino-americanos. Essa preocupação está expressa na instigante pergunta: “Para onde irá um povo de homens que tenham perdido o hábito de pensar com fé na significação e alcance de seus atos?”. Também, ao elaborar sobre a educação tendo em vista os dois conceitos que sintetizaram o debate educacional em fins do século XIX: educação popular e educação científica; Martí relacionou estes dois conceitos ao objetivo maior de transformação das Repúblicas Hispano-Americanas na direção de uma democratização profunda daquelas sociedades em uma insistente postura de incentivar o igualitarismo e a independência individual dos cidadãos frente ao Estado através da educação. Lucas dos Santos é historiador, com mestrado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2013) e experiência na área de História, com ênfase em História das Américas, intelectuais e ideias. Membro pesquisador do PEA (Programa de Estudos Americanos) da UFRJ.
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