Após uma convergência sombria de fatos e ficção, uma editora retirou os anúncios de um romance sobre um atentado suicida fictício em Londres que chegou às livrarias no mesmo dia em que 52 pessoas morreram em ataques com bombas na capital britânica.
<i>Incendiary</i> (Incendiário), de Chris Cleave, é escrito na forma de uma carta a Osama bin Laden enviada por uma mulher cujo filho e marido morrem num ataque fictício ao estádio do Arsenal, na zona norte de Londres.
O livro foi publicado na quinta-feira passada, o dia em que três bombas explodiram no metrô de Londres e uma quarta bomba destroçou um ônibus, e Cleave disse não saber como será recebido.
Uma representante da editora que publicou o livro, a Random House, disse na segunda-feira que a editora tomou medidas imediatas para remover os cartazes de divulgação do livro do sistema de metrôs de Londres, porque achou que seria insensível mantê-los. Apesar disso, muitos dos cartazes continuavam no metrô.
- Francamente, o metrô de Londres está com prioridades mais urgentes a tratar, então cuidará dos cartazes quando tiver tempo para isso - disse uma representante da Random House, que faz parte do conglomerado de mídia alemão Bertelsmann AG.
- Em vista dos fatos terríveis de 7 de julho, reiteramos a condenação do terrorismo e dos atos de violência expressa no livro e estendemos nossa solidariedade a todas as vítimas desses ataques - acrescentou.
A Chatto & Windus, um selo da Random House, marcou há meses a data de publicação de <i>Incendiary</i>, o primeiro livro de Chris Cleaves.
O livro tem lançamento previsto nos EUA ainda este ano, e seus direitos para o cinema já foram comprados por uma produtora cinematográfica.
A rede de livrarias britânica Waterstone's tentou retirar o anúncio do livro da capa interna do caderno de entretenimento do jornal <i>The Guardian</i> publicado no sábado, mas o caderno já tinha sido impresso.
Em lugar disso, a cadeia de livrarias pôde publicar no jornal um anúncio gratuito expressando sua solidariedade com as vítimas dos ataques da quinta-feira. O livro continua à venda na Grã-Bretanha.
O autor Chris Cleave disse que será interessante saber se a "voz" que propôs, se o que ela apresentou no livro, será algo semelhante à dos sobreviventes das explosões reais.
Em seu Web site, www.chriscleave.com, o escritor pede a opinião dos leitores sobre se deve ou não continuar a divulgar seu livro, em vista das circunstâncias.