O árbitro Edílson Pereira de Carvalho afirmou, em entrevista ao jornal ValeParaibano, que aceitou se envolver no esquema de manipulação de resultados por não ter conseguido resistir à tentação. O juiz, que chegou a ficar cinco dias preso na sede da Superintendência da Polícia Federal, em São Paulo, disse ainda que precisava do dinheiro para pagar dívidas.
- Com as dívidas aumentando e sem onde levantar dinheiro, eu achei que não deveria vender a casa ou o carro para conseguir resolver o problema. E como eu precisava entrar em 2005 com SPC e o Serasa limpos para ser aceito pela Federação Paulista de Futebol, lembrei de um tal de Vanderlei, que desde setembro vinha me oferecendo o negócio e, com certeza, também para outros árbitros que pudessem aceitar - afirmou.
O juiz disse novamente que o esquema começou no Campeonato Paulista.
- Em um jogo em Campinas, eles queriam uma vitória do Corinthians sobre o Guarani. Mesmo em tentação, eu consegui fazer o meu trabalho e a vitória do Corinthians, por 2 a 0, foi normal. Mas, depois, o dinheiro (R$ 10 mil) foi colocado na minha frente e eu não resisti. A tentação foi maior, eu peguei o dinheiro e aí, com o tal do Vanderlei saindo de cena, surgiu o tal de Giba (empresário Nagib Fayad, que também esteve preso).
Edílson afirmou também que viu que todo o escândalo tinha sido revelado ainda na sexta-feira (23), pouco depois da notícia dada pela revista Veja.
- Sempre soube que não existe crime perfeito. Na noite de sexta-feira, quando eu fui à Internet para saber de outros assuntos, já encontrei a minha foto. Fiquei magoado, chamei a minha esposa, que não sabia de nada, chorei bastante e, quando a Polícia chegou, duas horas depois, já sabia que seria assim - explicou.
O juiz garante estar arrependido por ter se envolvido no caso, disse que, se pudesse voltar no tempo, teria vendido a casa para resolver o problema, - "agora, provavelmente terei que vender a casa e os outros bens para pagar o advogado" -, e lamenta ter acabado com sua carreiro nos campos.
- Dinheiro não traz felicidade, mas manda buscar. Nunca me envolvi em falcatruas, não bebo, não jogo, não sou viciado, mas para decepção minha, fiz a maior (...) que poderia fazer, caindo nessa grande besteira, por dívidas financeiras que contraí desde 2003, quando fiquei oito meses afastado da arbitragem, por problemas físicos e também um documento irregular (diploma de escolaridade falso). Sei que a minha carreira de árbitro acabou antes dos dois anos que eu ainda teria pela frente, mas agora tenho que pensar na minha esposa, na minha filha e na minha mãe.