Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

Edilson admite mais árbitros envolvidos na Máfia do Apito

O árbitro de futebol Edilson Pereira de Carvalho, detido por fazer parte da uma quadrilha que fraudava resultados de jogos para se beneficiar de apostas em sites ilegais, concordou em fazer delação premiada, pela qual colabora com as investigações para ter sua pena brandada, revelou, em depoimento prestado à Polícia Federal, que houve tentativa de suborno de outros juízes pelo grupo. (Leia Mais)

Segunda, 26 de Setembro de 2005 às 07:34, por: CdB

O árbitro de futebol Edilson Pereira de Carvalho, detido por fazer parte da uma quadrilha que fraudava resultados de jogos para se beneficiar de apostas em sites ilegais, concordou em fazer delação premiada, pela qual colabora com as investigações para ter sua pena brandada, revelou, em depoimento prestado à Polícia Federal, que houve tentativa de suborno de outros juízes pelo grupo.

 Segundo o juiz declarou que o árbitro  Paulo José Danelon era amigo de um certo Wanderlei, um dos aliciadores do esquema, e recebeu proposta para favorecer determinadas equipes.

"Danelon (...) falou que não aceitou proposta de alteração de resultado (...), mas no entanto, na sua visão de árbitro em alguns jogos que o interrogado assistiu constata-se a possível conduta suspeita da arbitragem presidida por Danelon", contou Carvalho, em seu depoimento anteontem.

Outro citado no depoimento é Romildo Corrêa, também de São Paulo, que apitou quatro jogos no Brasileiro. O juiz teria recebido oferta de Wanderlei, mas Carvalho desconhece se aceitou.

O procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva Paulo Schmidt declarou ser favorável à abertura do sigilo bancário e telefônico de todos os árbitros do Campeonato Brasileiro, compreendendo todas as Séries.

- Essa é a minha posição pessoal, não a do STJD. Defendo que antes do campeonato, os árbitros que quiserem trabalhar devem declarar antecipadamente que abrem mão de seus sigilos - explicou.

Para Schimdt, essa medida é necessária para evitar suspeitas sobre as arbitragens. Ele reconhece que a medida é polêmica, mas defende que os árbitros sejam tratados com mais rigor até mesmo do que as pessoas eleitas para cargos políticos - que precisam apenas entregar uma declaração de bens antes de cada mandato.

Alguns juristas defendem, no entanto, que uma exigência desse tipo fere os direitos garantidos aos cidadãos na Constituição.

 O presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo del Nero, afirmou em entrevista ao 'Bom Dia São Paulo', da Rede Globo, que a entidade vai criar uma comissão de árbitros, que não são da comissão de arbitragem da Federação, para analisar os jogos apitados pelo juiz Edilson Pereira de Carvalho.

Del Nero afirmou que a primeira avaliação, feita pela comissão de arbitragem da Federação, a conclusão foi de que a ação do juiz não interferiu no resultado.

- A avaliação foi de que ele não teve interferência nos resultados. Mas vamos criar comissão de árbitros , que não seja desta comissão de arbitragem, para analisar a conduta. Vamos contatar a partir de hoje para que eles possam fazer um laudo para o Tribunal de Justiça Desportiva - disse o dirigente

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