Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Economista diz que mudanças nos juros norte-americanos podem causar problemas a emergentes

Sábado, 08 de Maio de 2004 às 11:22, por: CdB

Os mercados de capital brasileiro e de outros países emergentes podem estar prestes a enfrentar problemas com o aumento da taxa de juros dos Estados Unidos, na opinião do economista Francisco Petrus, da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec).

Em entrevista à Rádio Nacional, nesta semana, ele disse que analistas de mercado acreditam na antecipação do aumento da taxa norte-americana, depois que os estados Unidos anunciaram a criação de 288 mil postos de trabalho em abril, superando a expectativa, que era de 170 mil empregos novos.

De acordo com o economista, o reflexo dessas mudanças na economia norte-americana no mercado brasileiro tem dois agravantes. O primeiro é a falta de uma política consistente para o endividamento do Brasil, o que gera inquietação nos investidores e aumento do risco Brasil. Com isso, o mercado brasileiro acaba perdendo espaço para outros países emergentes como México, Chile e Coréia. O segundo é a falta de noção da "velocidade que esse aperto monetário internacional" terá. "Isso gera uma certa inquietação. Aumenta o risco Brasil e provoca uma dificuldade para que haja maior crescimento econômico", disse.

Na opinião de Petrus, os riscos de vulnerabilidade do mercado poderiam ser menores se o governo tivesse usufruído o processo de expansão de liquidez.

- Infelizmente, o governo não aproveitou esta oportunidade para criar uma maior demanda interna e aumentar suas reservas internacionais que cresceram, as chamadas reservas líquidas que excluem os recursos advindos do Fundo Monetário Internacional. Infelizmente, a política econômica adotada não foi satisfatória no sentido de minimizar esse risco.

Para minimizar os efeitos da variação do cenário internacional nos próximos meses, Petrus acredita que o governo precisa manter a rigidez fiscal, criar mecanismos que estimulem o consumo interno e o investimento interno, reduzir a taxa de juros no mercado local e flexibilizar as metas de inflação.

- Possibilitar um retorno no setor real, ou seja, nas fabricas, naqueles que produzem bem. Criar condições para que o país tenha uma melhor demanda, um melhor consumo interno. Fazer, inclusive, com que o Brasil se torne atraente para os investidores internacionais e para os próprios investidores locais - ressalta.

Petrus disse também que o ritmo da tramitação das reformas no Congresso Nacional pode influenciar as decisões dos investidores no país. Ele lembrou que as votações no Congresso Nacional têm sido lentas, especialmente no que se refere às reformas. "Há uma percepção de que esta falta de sustentação política e parlamentar somada a uma menor popularidade do governo possa dificultar a implementação de políticas econômicas que levem o país ao crescimento", disse.

Segundo Petrus, o governo precisa ter "comando político muito determinado e clareza de suas políticas". "A implementação das políticas tem sido muito lenta, gradual e pouco efetiva para que o país venha a crescer".

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