A reportagem Briga nas favelas afirma: — O Rio está combatendo o crime. Mas a polícia é pelo menos metade do problema —.
— Além de incompetente, a polícia do Rio está entre as mais brutais do mundo — afirma o artigo, que cita o aumento de 250%, em relação a 2002, no número de mortes causadas pela polícia no Estado do Rio.
Segundo a revista, nas últimas duas semanas os cariocas vibraram com a redução dos assassinatos, assaltos e roubos de carro devido à operação especial de segurança para garantir a realização dos Jogos Pan-Americanos.
Estômago
No entanto, muitos começam a se preocupar com o que vai acontecer agora que os atletas já deixaram a cidade. Segundo a revista, muitos dos problemas de segurança da cidade são explicados pela incompetência de diversos governos.
— Anos de prostração oficial, ineficiência e corrupção deslavada envenenaram lentamente o cumprimento da lei na cidade — diz o artigo. — Muitos especialistas acreditam que o mal remonta a um século atrás, quando a polícia começou a receber pagamentos da loteria ilegal popular chamada jogo do bicho —.
A revista também atribui a culpa de parte da corrupção policial ao "código trabalhista permissivo, que dificulta a demissão de servidores públicos".
Segundo a Economist, muitos dos policiais corruptos afastados conseguem na Justiça o direito de voltar ao trabalho.
Outro problema indicado pela reportagem é a preferência dos eleitores cariocas por "líderes populistas, que distribuíram os altos cargos de segurança para amigos", enquanto a polícia do Estado é a segunda pior remunerada do país.
A revista diz que o governador Sérgio Cabral "parece mais determinado do que seus antecessores", mas que não está claro se ele "tem o estômago" para enfrentar os problemas da corporação policial do Estado.