Alguns dias antes da presença do presidente Lula, no Forum de Davos, a Unctad divulgou um relatório sobre a queda dos investimentos diretos no mundo, no qual se revela que o Brasil demonstra uma grande vitalidade econômica, segundo declaração textual de uma técnica da Unctad, em Genebra, pois readquiriu diversas empresas que estavam em mãos estrangeiras.
A crise teve reflexos nos investimentos estrangeiros diretos em todo mundo, mas isso não impediu o desenvolvimento do Brasil e nem chega a ser catátrofe na África, disse a economista Nicole Moussa, economista da Unctad, em Genebra.
Os investimentos estrangeiros diretos sofreram um sensível declínio no ano 2009, explica a economista. A média dessa queda em todos os continentes é superior a um terço, porém a leitura das estatísticas divulgadas pela Unctad, em Genebra, não significa necessariamente uma quebra de um terço no crescimento real dos países.
Nicole Moussa, participante do levantamento desses investimentos, explica, por exemplo, que, no Brasil, a queda de 50% de investimentos diretos nada tem a ver com o crescimento real, assim com a queda de 36% de investimentos na África não deve ser interpretado como catástrofe.
Outros fatores vão jogar neste ano, particularmente se houver um desenvolvimento interno da China, pois a crise não lhe impediu um crescimento de 10% o que poderá ter grande repercussão na África, onde sua presença é cada vez mais marcante.
Com relação ao Brasil, Nicole Moussa acentua ser preciso se interpretar corretamente as estatísticas. Uma parte da queda dos investimentos diretos, diz ela, é por ter havido muito menos empresas brasileiras compradas por empresas estrangeiras e o que é notável, nesse ano 2009, foi a primeira vez depois da liberalização da economia brasileira, que houve, em termos de valor, mais brasileiros readquirindo empresas que estavam em mãos estrangeiras do que empresas estrangeiras comprando empresas brasileiras.
Quero deixar bem claro que quando temos uma queda de 50%, como é o caso do Brasil, não quer dizer que os investimentos reais das empresas caíram nessa proporção. De uma certa maneira, isso mostra a vitalidade das empresas brasileiras e da economia brasileira.
Nicole Moussa cita a compra no Brasil de uma filial do banco UBS, de uma filial do grupo alemão Tissens pela Vale do Rio Doce, de um banco italiano e de um empresa de alimentação por grupos brasileiros no valor de 5 bilhões de dólares.
Quanto à África, a economista Nicole Moussa destaca que houve uma forte baixa na compra por estrangeiros de empresas africanas, que já existem em mãos de africanos e que não mudaram de proprietários.
Assim, em 2008, houve US$ 21 bilhões na compra por parte de empresas estrangeiras e, em 2009, 6 bilhões, uma queda de US$ 15 bilhões, mas é preciso se entender essas cifras e não pensar haver uma catástrofe porque o investimento real não vai baixar nessa proporção.