O Banco Mundial (Bird) divulgou nota, nesta quinta-feira, na qual diz esperar que a economia mundial sofra uma forte contração, entre 1% e 2% neste ano, número que não é registrado desde a década de 30. Presidente da instituição, Robert Zoellick confirmou os dados, em uma entrevista ao jornal britânico Daily Mail.
– Minha estimativa é que a atividade retrocederá provavelmente de 1% a 2%. Não vimos números assim desde a Segunda Guerra Mundial, de fato desde os anos 30 – afirmou Zoellick.
Na véspera, foi a vez de o diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, também prever uma contração da economia mundial, mas não divulgou números. Segundo as últimas perspectivas do FMI, divulgadas em janeiro, ainda previam um pífio crescimento mundial, na ordem de 0,5% para este ano.
Zoellick afirmou que o comércio internacional provavelmente registrará "a maior queda em 80 anos" e disse temer que a crise econômica signifique a morte de 200 mil a 400 mil crianças por ano. Ele pediu aos países ricos que aumentem os esforços contra a pobreza. No fim de semana, o Bird divulgou que os países em desenvolvimento enfrentarão neste ano um déficit de financiamento de US$ 270 bilhões a US$ 700 bilhões e advertiu que as instituições internacionais não poderão financiar esta falta de crédito.
Ainda de acordo com a instituição, 98 de 129 países em desenvolvimento não serão capazes de atrair investimento privado suficiente para cobrir suas necessidades financeiras. O documento assinala, ainda, que US$ 270 bilhões seria o valor de captações que não seriam realizadas. Os US$ 700 bilhões seriam atingidos caso a fuga de capitais se acelere ou esses países tenham dificuldade para refinanciar suas dívidas. No mesmo documento, além da retração da economia global, o organismo estimou que o comércio internacional deve registrar a maior queda em 80 anos.
– A crise precisa de uma solução global e prevenir uma catástrofe econômica nos países em desenvolvimento é importante para a sua superação – disse Robert Zoellick.
Reunião
Em Londres, nesta sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, participa de encontro entre os países que integram o Brasil, Rússia, Índia e China (Bric) para discutir a crise econômica mundial. No sábado, ainda na Inglaterra, Mantega participa de encontro do G20, acompanhado do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O G20 é um grupo formado pelos ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais das 20 maiores economias do mundo.
Depois, o ministro da Fazenda brasileiro tem encontro com o ministro das Finanças da China, Xie Xuren. Na segunda-feira, os dois ministros estarão nos Estados Unidos, onde participam de seminário, em Nova York, sobre a economia brasileira.