A economia global continua a se recuperar da pior recessão em 70 anos, com os "dinâmicos" mercados emergentes na liderança, disseram integrantes de bancos centrais nesta segunda-feira. O presidente do Banco Central Europeu (BCE) Jean-Claude Trichet, que presidiu os debates sobre a economia global na reunião do Banco de Compensações Internacionais (BIS), disse que a consolidação fiscal é essencial para uma recuperação sustentável e para confiança econômica.
– Há a confirmação da progressiva normalização da economia e do fato de que, a nível global, nós estamos em modo de recuperação – disse Trichet a jornalistas.
As maiores economias do mundo – a União Europeia, os Estados Unidos e o Japão – emergiram da recessão no terceiro trimestre do ano passado. Mas muitos membros de banco central e analistas expressaram dúvidas sobre a sustentabilidade da recuperação, e alertaram sobre as dificuldades adiante.
Trichet disse na reunião, que contou com a presença de representantes do Federal Reserve, do banco central do Japão, da Inglaterra e das economias emergentes, que os governos precisam ter responsabilidade fiscal.
– Nós tínhamos muito tempo dedicado à questão de desequilíbrios fiscais, da necessidade de ter credibilidade na volta ao normal e da forma sustentável de lidar com a posição fiscal no médio prazo – disse ele.
Isso foi importante para a confiança da economia, disse ele.
Dados estatísticos
Na França, a produção industrial aumentou mais que o esperado em novembro, em 1,1% sobre outubro, informou a agência de estatísticas INSEE nesta segunda-feira. O aumento, impulsionado pela atividade de automóveis e eletrônicos, superou a previsão de analistas de 0,5%.
O dado de outubro foi revisto para cima, para queda de 0,6% sobre setembro, ante leitura preliminar de recuo de 0,8%. Em novembro, a produção de automóveis saltou 8,5% sobre outubro, conforme os consumidores aproveitaram os incentivos do governo para a aquisição de veículos antes de sua suspensão no fim de 2009.
A atividade de tecnologia da informação, eletrônicos e equipamentos ópticos aumentou 6,1%, em preparação para o Natal.
Caminho certo
Para o bilionário saudita príncipe Alwaleed bin Talal, presidente da Kingdom Holding e acionista do Citigroup, o banco norte-americano – um dos mais afetados pela crise do capitalismo internacional, iniciada nos EUA – deixou o pior para trás e que agora está no caminho certo. Alwaleed disse na semana passada que a Kingdom cortará seu capital quase pela metade, e concordou em transferir 180 milhões de ações do Citi, valendo US$ 3,31 cada, do seu próprio bolso para a folha de balanço da Kingdom.
Em linha com o discurso de Trichet, o príncipe Alwaleed, um dos homens mais ricos do mundo, disse que o pior ficou para trás no Citigroup, que os mercados globais estavam perto do fim da crise, e que ele espera resultados positivos do banco norte-americano em 2011. A crise financeira global e a recessão econômica tiveram um impacto severo sobre os lucros da Kingdom Holding, que deriva a maior parte da sua receita de dividendos acionários e do seu negócio de hotéis.
O investimento da companhia no Citi vale cerca de US$ 4,3 bilhões, baseado no preço de fechamento do Citi na sexta-feira. A Kingdom também tem investimentos em imóveis, propriedade e equipamentos, além de ativos intangíveis estimados em US$ 7,1 bilhões até o final de setembro.