Os três diretores do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que defenderam, na última reunião, um corte maior do juro argumentaram que a contribuição das importações para o controle da inflação poderá ser "maior do que a inicialmente contemplada". A maioria do Copom, contudo, avaliou que o cenário macroeconômico de crescimento "robusto" da demanda e da atividade, aliado às incertezas do impacto dos recentes reduções da Selic, justificavam a manutenção do ritmo de corte em 0,25 ponto percentual.
As avaliações também constam da ata divulgada nesta quinta-feira. Na semana passada, o Copom decidiu por 4 votos a 3 cortar a Selic em 0,25 ponto, para 12,50% ao ano. A redução veio em linha com o esperado pelo mercado, mas o dissenso surpreendeu analistas, que passaram a considerar reduções mais agressivas da Selic nos próximos meses e aguardavam com ansiedade a divulgação da ata.
Os diretores informaram ainda que a projeção do BC para o IPCA em 2007, com base em cenário que leva em conta taxas de câmbio e de juros estáveis, sofreu ligeira alta, mas permanece abaixo da meta central de 4,5%.
- A ata tentou passar uma mensagem que não exacerbasse os efeitos do dissenso na decisão da semana passada. O ponto 'negativo' é a elevação da expectativa de inflação do BC para o ano-calendário de 2007. Muito provavelmente as projeções de novos cortes serão revistas - afirmou Darwin Dib, economista do Unibanco, a jornalistas.