Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2026

Economia e adivinhação

Sexta, 15 de Julho de 2011 às 19:44, por: CdB

Por Gerhard Grube 16/07/2011 às 01:36

Um mísero Real, a 10% de juros ao mês, por cinqüenta anos, resulta num valor equivalente ao de uma bola de ouro quase do tamanho da Terra.

Apesar de ser exatíssima matemática fazer tal conta, sabemos ser impossível na prática este resultado.
Assim, uma cidade qualquer não vai crescer indefinidamente. Nem a população de determinado lugar. É fisicamente impossível. Não importa a teoria.

Coisas assim ainda são uma função do tempo, y=f(x). O tempo (dia, mês, ano) é abscissa. A ordenada são os Reais, população etc. Mesmo assim não podemos prever o resultado. Como se diz: Na prática a teoria é outra.

Mas bem pior ainda, quando as coisas nem são função do tempo decorrido, e mesmo assim tenta-se prever o futuro, ancorado numa aparente tendência. Como se tendência fosse destino.

Por exemplo, não tem nenhum sentido fazer a previsão do tempo (frio chuva etc.) baseando-se no que aconteceu anteriormente. Não adianta plotar num gráfico os dados (temperatura, vento, umidade, pluviosidade etc.) registrados. E com estes dados do passado tentar prever como vai ser a temperatura, vento, umidade, pluviosidade etc. no futuro.
Os fenômenos meteorológicos são aperiódicos. Não são, função do tempo decorrido. Dependem de outras coisas.

Se eu jogo no bicho ou loteria, posso se quiser ir anotando os resultados. E com estes dados fazer minha previsão para saber qual vai ser o próximo bicho ou bilhete premiado. E apostar nisso.
Qualquer um sabe que não funciona. No jogo de azar, o que vem depois, simplesmente não depende do que aconteceu antes!

Mas os economistas não pensam assim. Quando fazem os seus gráficos e demonstrativos, invariavelmente a abscissa é tempo (mês, ano etc.). E na ordenada colocam os dados: PIB, desemprego, cotação do ouro, petróleo, trigo, produtividade, produção, dívida externa e interna etc.
Mediante estes dados então, tiram as suas conclusões sobre o futuro. Como se tendência fosse destino. Não é. Não tem nada a ver!

Simplesmente não funciona. Pois os dados plotados dependem de muitas coisas, mas não do tempo decorrido. Nenhum índice econômico tem como variável independente o tempo.
Se fosse função do tempo não haveria nenhuma dúvida sobre o futuro, amanhã, mês que vem e mesmo daqui a mil anos. Seria só fazer as contas e tudo estaria resolvido.

Invariavelmente os economistas cometem este erro. Em tudo quanto é artigo e publicação vemos gráficos bonitinhos, tendo dias meses e anos como abscissa. Como se a economia fosse função do tempo decorrido, e a tendência indicando o porvir.

E ficam pasmos quando suas previsões resultam mais furadas que queijo suíço. Os que erram são execrados. Os que eventualmente acertam são endeusados.
Mas tanto um como outro não têm a menor idéia do que aconteceu.

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