As encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos surpreenderam e registraram em fevereiro a primeira alta em sete meses, informou o Departamento de Comércio, nesta quarta-feira.
A alta de 3,4 %, para US$ 165,6 bilhões, é a maior desde dezembro de 2007. O dado de janeiro foi revisto para baixo, para queda de 7,3% ante leitura preliminar de recuo de 4,5%. Analistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters previam um recuo de 2 % em fevereiro.
Excluindo transportes, as encomendas aumentaram 3,9% em fevereiro, maior variação desde agosto de 2005. As encomendas de bens de capital fora do setor de defesa excluindo aviões, uma medida do gasto empresarial, subiu 6,6% em fevereiro, ante declínio de 11,3% no mês anterior.
A notícia quanto ao indicador positivo para a economia norte-americana foi precedida de uma entrevista do presidente daquele país, Barack Obama. Ele disse, na véspera, que sua estratégia para combater a crise econômica está começando a progredir e, ao mesmo tempo, alertou os norte-americanos a terem paciência pois esse será um processo que levará tempo.
– Implantamos uma estratégia ampla para atacar essa crise em todas as frentes. E estamos começando a ver sinais de progresso – disse Obama, em comentários antes de uma entrevista coletiva na Casa Branca. Ele defendeu seu projeto orçamentário de US$ 3,55 trilhões, que enfrentou críticas de republicanos e até mesmo de alguns democratas que o consideraram muito caro. Para Obama, o projeto é fundamental para criar as bases de uma prosperidade duradoura.
O presidente afirmou que seu orçamento abrirá caminho para um crescimento econômico mais amplo "ao mudar de uma era de emprestar e gastar para uma de poupar e investir".
AIG
Obama voltou a defender a concessão de autoridade para fechar instituições problemáticas, como a seguradora AIG, para a evitar a necessidade de novos pacotes de resgate no futuro. Falando a parlamentares, ainda indignados com os bônus pagos pela empresa, que recebeu ajuda do governo, a funcionários, o secretário de Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, pediu ao Congresso novos poderes para assumir empresas financeiras não-bancárias com problemas.
O chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, apoiou Geithner enfaticamente em depoimento ao mesmo comitê e a tese também foi defendida por Obama em entrevista coletiva.
– Tenham em mente que foi justamente por conta da ausência dessa autoridade que a situação da AIG piorou. Teríamos de ter conseguido isso muito antes para que qualquer instituição que apresentasse um risco sistêmico que pudesse abalar o sistema financeiro, nós poderíamos lidar com isso, lidar com isso de maneira ordenada – disse.
Quando questionado qual agência poderia ficar responsável por essa questão, Obama respondeu que a Federal Deposit Insurance Corp seria um bom modelo.
– Se você olha como a FDIC lidou com a situação do IndyBank, por exemplo, ela toma esse tipo de decisões de maneira efetiva quando tem as ferramentas para fazê-lo. Não temos as ferramentas no momento – afirmou.