Lew ocupa cargo semelhante ao do ministro Guido Mantega, na Fazenda
Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew fez um alerta ao Congresso, nesta quarta-feira, sobre a capacidade de endividamento do país. Os EUA esgotarão sua capacidade de empréstimo até no máximo 17 de outubro, data em que o Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês, o Banco Central norte-americano) terá apenas cerca de US$ 30 bilhões em caixa. A nova estimativa chegou em carta aos líderes do Congresso na qual Lew pede a eles que ajam rapidamente para elevar o teto da dívida do país de US$ 16,7 trilhões.
"Se o governo acabar se tornando incapaz de pagar todas as suas contas, os resultados podem ser catastróficos", disse Lew, no documento.
Após a veiculação da notícia, na manhã desta quarta-feira, as ações asiáticas caíram diante das preocupações com uma possível paralisação do governo dos Estados Unidos e a incerteza acerca da perspectiva da política do Fed deixaram os investidores hesitantes. Senadores norte-americanos apoiados pelo Tea Party (segmento de ultradireita nos EUA) estão ameaçando barrar um projeto para financiar o governo do país.
Crescem os temores em Washington de que a disfunção política possa levar a um default no próximo mês se as autoridades não autorizarem mais empréstimos. Às 7h38 (horário de Brasília), o índice MSCI que reúne ações da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão tinha oscilação negativa de 0,04%.
Em relação ao programa de estímulos dos Estados Unidos, o presidente do Fed de Nova York, William Dudley, em entrevista ao canal norte-americano de TV CNBC, na noite passada, defendeu a decisão inesperada do BC norte-americano na semana passada de não reduzir seu programa porque a economia dos EUA está mais fraca do que o banco pensava em junho. Mas Dudley não "descarta" uma redução de estímulo ainda neste ano.
Acionistas temerosos
Na véspera, os índices Dow Jones e Standard & Poor's 500 também terminaram em queda, ampliando o recuo recente pela quarta sessão consecutiva, com preocupações sobre a possível paralisação do governo dos Estados Unidos alimentando a cautela de investidores. O índice Dow Jones recuou 0,43%, para 15.334 pontos. O índice Standard & Poor's 500 teve desvalorização de 0,26%, para 1.697 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq avançou 0,08%, para 3.768 pontos.
Embora ainda haja incerteza sobre as intenções do Fed de reduzir seu estímulo, após a decisão da semana passada de manter o ritmo da compra de títulos, parte do foco do mercado financeiro passou ao Congresso. A aprovação de projeto de lei para financiar o governo dos EUA esbarraram na resistência de importantes senadores republicanos, incluindo o líder da minoria, Mitch McConnell.
As recentes perdas do mercado marcam a série mais longa de quedas desde o mês passado para o S&P 500, que perdeu força em todos os pregões desde que avançou 1,2% na quarta-feira passada, após o anúncio do Fed.
– Tivemos aquele dia positivamente explosivo após o anúncio do Fed. Agora, na ausência de dados econômicos para amparar o avanço do mercado, estamos aguardando algum evento macro. Está influenciando o fato de que estamos caminhando em direção à data da resolução e às consequências do teto da dívida – disse o estrategista-chefe de investimentos do Janney Montgomery Scott, Mark Luschini.
Bancos figuraram entre as maiores quedas do S&P 500 pelo segundo dia consecutivo, com a ação do JPMorgan Chase caindo 2,2%, para US$ 50,32 e o papel do Wells Fargo recuando 1,4%, para US$ 41,73. Um juiz federal rejeitou o pedido do Wells Fargo de arquivar um processo do governo dos EUA acusando o maior credor hipotecário do país de fraude.
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