Analistas de mercado consultados pelo Banco Central (BC) reduziram pela terceira semana consecutiva a projeção para o crescimento da economia este ano. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, caiu de 1,70% para 1,50%. Para 2010 também houve redução, de 3,80% para 3,60%. As informações constam do boletim Focus, publicação semanal do BC elaborada com projeções de analistas para os principais indicadores da economia.
A redução das estimativas de crescimento da economia se deve à crise financeira internacional, agravada em setembro de 2008. Para a produção industrial, foi mantida a previsão de 1,5% neste ano e reduzida de 4,10% para 4% a projeção referente à 2010. Os analistas estimam que a dívida líquida do setor público fique em 36,20% do PIB este ano, ante a expectativa anterior de 36,10%. Para 2010, a projeção foi alterada de 35,10% para 35,25%. Quanto menor a relação entre dívida e PIB, maior é a confiança do investidor na capacidade do Brasil de honrar seus compromissos.
Quanto ao dólar, foi mantida a estimativa de R$ 2,30 ao final deste ano e alterada de R$ 2,29 para R$ 2,28 em 2010. A expectativa para o superávit comercial (saldo de exportações menos importações) foi mantida em US$ 14 bilhões, em 2009, e alterada de US$ 14 bilhões para US$ 13,85 bilhões no próximo ano. A estimativa para o déficit em conta corrente (todas as operações do Brasil com o exterior) em 2009 foi mantida em US$ 25 bilhões e ajustada de US$ 30 bilhões para US$ 27 bilhões no próximo ano.
A projeção para o investimento estrangeiro direto (dinheiro que entra na parte produtiva da economia) em 2009 subiu de US$ 22,5 bilhões para US$ 23 bilhões, mas, para 2010, a estimativa foi mantida em US$ 25 bilhões.
Inflação
Analistas do mercado financeiro reduziram a projeção para a inflação oficial neste ano. A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,73% para 4,69%. Para 2010, no entanto, foi mantida a expectativa de 4,5%. Os dados também constam na última edição do boletim Focus.
A projeção para o Índice de Preço ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) caiu de 4,53% para 4,5% para este ano e foi mantida em 4,5% para 2010. No mercado atacadista, a expectativa para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu de 4,63% para 4,57% e para o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) subiu de 4,24% para 4,25%. Para 2010, a estimativa para os dois índices foi mantida em 4,5%.
Os analistas alteraram a projeção para os preços administrados em 2009 de 5% para 4,9% e mantiveram em 4,5% a do próximo ano. Os preços administrados referem-se aos valores cobrados por serviços monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação, saneamento, transporte urbano coletivo e outros).
Juros em queda
A taxa básica de juros deve cair dos atuais 12,75% para 11,75% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), em março, segundo o boletim Focus. Na semana anterior, a previsão de redução da Selic era de de 0,75 ponto percentual. Os analistas também reduziram a projeção para os juros básicos ao final do ano, de 10,75% para 10,5%. Para 2010, foi mantida a expectativa de 10,5%.
A Selic é um dos instrumentos usados pelo Banco Central para controlar a inflação, que na projeção dos analistas deve fechar este ano em 4,69%, ante os 4,73% previstos na semana anterior. Para 2010, a estimativa foi mantida em 4,5%. Essas projeções referem-se à inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esse índice é usado pelo governo na hora de conferir a meta de inflação que, neste ano, tem como centro 4,5% e margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Os analistas esperam maiores cortes de juros por conta do desaquecimento da economia neste ano, um efeito da crise financeira internacional, e pela expectativa de que a inflação permanecerá sob controle, ou seja dentro da meta.