Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026

Economia brasileira deverá continuar em expansão

A economia brasileira deverá continuar registrando uma forte expansão nos próximos dois anos, mas o país poderá ter uma inflação mais alta do que a prevista, afirma a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em um relatório divulgado nesta quinta-feira.

Quinta, 18 de Novembro de 2010 às 09:09, por: CdB
A economia brasileira deverá continuar registrando uma forte expansão nos próximos dois anos, mas o país poderá ter uma inflação mais alta do que a prevista, afirma a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em um relatório divulgado nesta quinta-feira. No estudo Perspectivas Econômicas da OCDE, publicado semestralmente e que analisa as principais tendências mundiais para os próximos dois anos, a organização nota que a economia mundial “continua se reerguendo, mas os progressos se tornaram mais hesitantes”. – O crescimento, bem mais dinâmico nos mercados emergentes, permanece fraco e desigual na maior parte dos países da OCDE –, diz a organização. A organização acrescenta que, apesar da previsão de expansão, o Brasil - que não é membro da OCDE - permanece “vulnerável” à eventual desaceleração do crescimento na China e nos países ricos. A OCDE, que agrupa a maioria dos países considerados desenvolvidos, afirma que a retomada do crescimento econômico mundial continua, mas em um ritmo mais lento no curto prazo. Explosão do consumo Segundo as previsões da organização, após uma desaceleração momentânea a partir do segundo trimestre deste ano, o PIB do Brasil deverá registrar em 2010 um aumento de 7,5%, graças ao forte consumo interno, que “explodiu” no período que antecedeu as eleições presidenciais. O lançamento de grandes projetos de infraestrutura deve contribuir para estimular novamente as taxas de crescimento nos próximos anos. Em 2011, a economia brasileira deverá crescer 4,3% e, em 2012, o aumento deverá ser de 5%, prevê a OCDE. Para a OCDE, o PIB americano deverá crescer 2,7% em 2010 e 2,2% no próximo ano. Em 2012, a previsão é de aumento de 3,1%. A economia da zona do euro deverá aumentar apenas 1,7% neste ano e também em 2011 e 2% em 2012, segundo a organização. Já a economia chinesa deverá crescer 10,5% neste ano e 9,7% em 2011 e também em 2012, prevê a OCDE. Inflação Mas a inflação deverá se manter levemente acima de 4,5%, que é o centro da meta fixada pelo Banco Central brasileiro, afirma a organização com sede em Paris. O objetivo fixado pela autoridade monetária brasileira é de que a inflação anual de 2010 e 2011, medida pelo IPCA, seja de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. – A desaceleração da atividade econômica, o recuo dos preços dos alimentos e a valorização significativa do real contribuíram para controlar a inflação –, diz o estudo. Mas esses efeitos que permitiram controlar a alta dos preços não devem durar, na avaliação da OCDE. ‘Medidas rigorosas’ – A inflação poderia ser mais alta do que a prevista se medidas para impedir a valorização do real forem tomadas e os preços dos produtos básicos continuarem a aumentar. Em um tal cenário, medidas de estabilização mais rigorosas deveriam ser tomadas para evitar um desvio das metas de inflação –, recomenda a OCDE. – O aperto monetário deveria ser retomado assim que possível para reprimir as pressões inflacionárias que estão se acentuando –, afirma a OCDE. A organização diz ainda que as medidas de estímulo econômico adotadas para enfrentar a recessão mundial “deveriam ser totalmente abandonadas” para afrouxar as pressões inflacionárias. No relatório, a OCDE afirma também que as entradas maciças de capital estrangeiro reforçaram o real, mas que, no futuro, esses fluxos podem tornar a economia brasileira mais vulnerável às flutuações de investimentos a curto prazo e também sujeita a reviravoltas no apetite dos investidores por risco.
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