Rio de Janeiro, 22 de Abril de 2026

Ecologistas protestam contra abandono de reserva no Rio

Na próxima quarta-feira completa um um ano de morte do ecologista Dionísio Julio Ribeiro por um caçador, na reserva do Tinguá, na Baixada Fluminense. No entanto, segundo denunciaram militantes de Organizações Não Governamentais (ONGs) locais, em nota divulgada nesta quinta-feira, "persiste o abandono da reserva e o sucateamanto do IBAMA na região". (Leia Mais)

Quinta, 16 de Fevereiro de 2006 às 18:37, por: CdB

Na próxima quarta-feira completa um um ano de morte do ecologista Dionísio Julio Ribeiro por um caçador, na reserva do Tinguá, na Baixada Fluminense. No entanto, segundo denunciaram militantes de Organizações Não Governamentais (ONGs) locais, em nota divulgada nesta quinta-feira, "persiste o abandono da reserva e o sucateamanto do IBAMA na região". Ainda segundo a nota, "as promessas da Ministra Marina Silva de adoção da Reserva por empresas públicas federais como Petrobras e Furnas, que tem dutos e torres no interior da Reserva, não saíram do papel". Manifestantes planejam a realização de missa no dia 22, com parte do público vestida de luto, "em protesto pela continuidade do descaso e da Impunidade", afirmou a nota.

Ainda nesta quinta-feira, procuradora da República Ana Paula Ribeiro Rodrigues, em São João de Meriti, recebeu em audiência os ativistas da ONG Defensores Ambientais do Gericinó-Mendanha-Tinguá (Damgemt) que levaram num dossiê e fitas de vídeo com novas denúncias de crimes ambientais que vêm ocorrendo na Reserva Biológica Federal do Tinguá, na Baixada Fluminense. Constam, entre elas, " a existência de 50 a 60 areais clandestinos no entorno da Rebio Tinguá, de acordo com levantamento do Núcleo de Meio Ambiente da Polícia Federal". E ainda:

"Extinção da Brigada Prev-Fogo de combate a incêndios florestais que era formada por moradores da comunidade do Tinguá. Os brigadistas exerciam relevante função pedagógica e atuavam como verdadeiros educadores ambientais: orientando a população quanto ao respeito e preservação do meio ambiente, controlando atividades danosas à natureza e os recursos hídricos, combatendo diariamente crimes ambientais.

"Continuidade da situação de abandono da Reserva: Veículos quebrados, falta de combustível, ausência de equipamentos de comunicação, reduzido número de agentes e fiscais ambientais, faltas de verbas, ausência de sub-sedes etc".

"Falta d´água na Biquinha, comunidade de baixa renda que há mais de 40 anos convive sem água potável. Esta era a principal luta ecológica e social de Julio Ribeiro antes de ser assassinado com cobrança através de diversos Ofícios e cartas à CEDAE (que capta grande volume de água no interior da Rebio) e à Prefeitura de Nova Iguaçu;

"Inexistência de Sub-sedes do IBAMA no entorno desta Reserva Biológica, que tem 26 mil hectares e abrange 6 municípios. Antigo projeto do IBAMA que NUNCA saiu do papel visava a implantação de Sub-sedes em Jaceruba, Rio d'Ouro, Xerém, Adrianópolis e Tinguá.

"Ausência de políticas públicas por parte das Prefeituras, governo estadual e União Federal que sejam voltadas para geração de trabalho e renda nos municípios da Baixada Fluminense que  tem 4 milhões de habitantes e apresenta elevados níveis de desemprego, sub-emprego e pobreza. O apoio e incentivo do poder publico a atividades econômicas no entorno da Reserva como psicultura em tanques, produção de mel, floricultura, artesanato, criação de hortos para reflorestamento das áreas degradadas etc, poderiam absorver um número expressivo da mão de obra atualmente desempregada em atividades que não provocam destruição do meio ambiente. Tinguá é a principal reserva florestal da Baixada".

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