Está tudo errado nessa história de adiamento - pela 2ª vez - do leilão do Trem de Alta Velocidade (TAV), ou trem-bala, em sua 1ª linha Rio-Campinas-São Paulo. O leilão estava programado para o próximo dia 29 e, agora, foi adiado sabe Deus para quando.
Embora algumas áreas do governo ainda digam que a protelação está em estudos, ela já foi confirmada (ontem) no Rio, pela presidente da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), Bernardo Figueiredo.
Nosso trem-bala enfrenta grande resistência dos lobies dos transportes aéreos e terrestres, e do setor de transporte rodoviário. O presidente da ANTT previu que o adiamento do leilão será por 3 ou 4 meses - a estimativa do executivo é de que, agora, aconteça em julho.
O leilão está sendo adiado pela 2ª vez
O governo já vinha desde o início da semana acenando com a possibilidade, dando como justificativa a visita da presidenta Dilma Rousseff a China entre os dias 12 e 15 próximos. Os chineses têm interesse no projeto e precisam de tempo para estudar participação, alega o governo. Empresas alemãs, japonesas e coreanas, e os fundos de pensão brasileiros também estudam participar do leilão.
O objetivo do governo era que o trem-bala estivesse funcionando para as Olímpíadas de 2016 programadas para o Rio. "Mas não haverá mais tempo", alertou Figueiredo. "O ponto crítico é o licenciamento ambiental. Já contratamos uma empresa de engenharia para conceder (algumas) licenças. Mas as obras, agora, só devem começar em meados de 2012"
"É difícil para as Olimpíadas", concluiu o executivo. "Pode até ter alguma parte concluída, se houver um esforço. (Mas) a idéia é fazer todo o trajeto junto." O custo estimado da obra é de R$ 33 bilhões e o BNDES está autorizado a financiar até R$ 20 bi.
Quanto mais se adia, mais se criam dúvidas
A verdade é que quanto mais se adia mais se criam dúvidas sobre a viabilidade e necessidade do TAV! Isso sem falar, como bem lembra o diretor da Agência, que ainda temos a questão ambiental para equacionar - habitualmente das mais demoradas entre aquelas a serem decididas.
Fora o financiamento e as questões técnicas e complexas de engenharia e do projeto.Isto tudo, meus amigos, sem falar na licitação propriamente dita e em todos os seus prazos e conseqüências. O tempo realmente corre contra o projeto - o tempo e os lobbies contrários.