O presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), de Minas Gerais, Paulo Ângelo Carvalho de Souza, defendeu nesta quarta-feira a ampliação da base acionária para frear a alta crescente de pontos da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
A Bovespa ultrapassou os 70 mil pontos desde o último dia 5, sem interrupção, sendo que a pontuação não apresenta baixa desde o dia 12. Para Paulo Ângelo, a manutenção dessa alta “exuberante demais” é perigosa.
Ele advertiu para a necessidade da área econômica do governo ficar atenta para a possibilidade de confirmação do grau de investimento, concedido ao país pela Standard & Poor's, pelas outras agências internacionais de avaliação de risco, a Fitch e a Moody's. Paulo Ângelo acredita que “vai entrar dinheiro no Brasil” quando isso ocorrer.
– Se nós não ampliarmos a base acionária brasileira, seja através de novos IPOs, seja por empresas tomando capital no mercado de ações, você corre o risco da Bovespa ficar vendida, podendo até criar uma certa bolha, porque força demais o preço – sustentou.
Paulo Ângelo explicou que o preço sobe quando a bolsa mantém o mesmo número de ações e a demanda sobe de maneira expressiva. Para ele, a solução é trazer mais empresas para o mercado de ações.
Ele descartou a possibilidade da elevação de pontos ter viés especulativo. Mas reconheceu que o mercado “não pode só subir”. De acordo com o índice Ibovespa via Economática, as principais altas registradas na Bovespa, até o último dia 16, foram Usiminas (73%), CSN (62%), Gerdau (54%), Gerdau Metalúrgica (50%), Telemar (35%), Vale (16,5%) e Brasil Telecom (15,90%). “As pessoas estão comprando e as empresas estão subindo até mais que o índice, isoladamente”, registrou.
Paulo Ângelo negou que as pessoas estejam comprando ações da Usiminas, recordista em altas nos últimos dias, por pura especulação.
– Quem está encarteirando Usiminas está fazendo como investimento – disse. Ele acredita que os recordes diários da Bovespa são uma seqüência natural e que persistirão mesmo que a bolsa suba minimanente.
O presidente da Apimec/MG analisou que o aumento da pontuação da Bovespa é influenciado pelo dinamismo da economia nacional e que, quando se compara aos números de bolsas de valores internacionais, o movimento da bolsa brasileira mostra que ela está mais expressiva. A alta de maio tem oscilado entre 16% e 18%.
Os números coletados até o último dia 16 revelam que a Bovespa fechou com alta de 15,84%, enquanto a Bolsa do México subiu 9,71% e a Bolsa do Canadá 5,02%. Ficaram negativas as bolsas da Inglaterra (-1,75%), a Nasdaq dos Estados Unidos (-3,09) e a Bolsa de Shangai (-30,48%).