Por vera vassouras 06/06/2011 às 20:44
É proibido falar a verdade, cantá-la, contá-la, sob pena de ofensa à honra do sistema e de seus executores. É proibido pensar.
O Império da Barbárie
E por falar em trogloditas...
Vera Vassouras*
Aparentemente dominam o planeta através do terror. O terror mais sofisticado: o terror psicológico. Daqueles que o sofrem e daqueles que observam. Impotentes. Testemunhando a realidade. Enquanto os "terroristas" resistem, buscam o "pão-nosso-de-cada-dia" e apodrecem nas cadeias, fonte de renda hollywoodiana, dentre outros investimentos e prazeres (sodomitas), os controla-dores dos sistemas judiciais os perseguem, os sequestram, os torturam. Legalmente.
É proibido falar a verdade, cantá-la, contá-la, sob pena de ofensa à honra do sistema e de seus executores. É proibido pensar.
Somente os trogloditas pensam através de sua literatura e seus servos, protegidos em suas respectivas glebas autoritárias. Das batinas às togas. Dos diplomas às fardas. Todos trogloditas. Corruptos e corruptores.
E por meio de suas armas e prisões, atingiram uma meta impensável aos anões helênicos: a perda da memória e dos sentidos. Milhões de seres humanos transformados em peças de um jogo mórbido, sujo e covarde.
E lá vêm eles, os trogloditas disfarçados de democratas, monarcas, sacerdotes, empresários. Até mesmo agricultores. Lá vêm eles com seus exércitos fardados, exterminando seu próprio povo, ou melhor, a gentalha que vive do lado de fora dos palácios a pagar impostos com seus corpos dóceis. Para a manutenção do sistema troglodita.
Adestrados, seus exércitos de professores e cientistas, todos a serviço dos trogloditas. Senão pela ação, pelo silêncio, oportuno, desavergonhado. Com o passar do tempo, o terror psicológico se transforma em cegueira irreversível.
O sujeito olha e não vê, ouve e não escuta, fala, escreve, dialoga, emite palestras, sermões, sentenças, literaturas, amores, ódios e todas as categorias de éticas modernas. Quanto ao tipo religioso é o mais degenerado: abençoam em nome de deus, o diabo e as bombas atômicas. Possuem cargos nos exércitos. Nos exércitos são os capelães. Abençoam as armas que irão matar os "filhos de deus". Nenhuma réstia de sol em seus sermões. Tudo é falsidade e tudo está previamente combinado. Há séculos.
Às multidões de famintos de comida e conhecimento: demo-cracia ao estilo dos trogloditas. Humanos-bestas.
Humanos bestiais com cérebro e rabo, patas e chifres. Dissimulados. Parecem um bode num trono. Dissolvem e coagulam seres humanos. Pobre bode. Não foi capaz de escapar da escatologia dos trogloditas. Vigia os templos construídos para todas as espécies de servos e adeptos. Dos templos do dinheiro aos campos de refugiados, expulsos de sua própria terra após a matança televisionada por concessões estatais. Depois virão as linhas férreas para o transporte dos minérios (ou das drogas), em seguida os automóveis, os aviões e, finalmente, as usinas nucleares para a produção das armas de destruição do planeta. Seu alvo final.
Há templos arrebatadores. Além dos castelos cujo cimento é sangue fresco, há os templos constituídos pelos estádios de futebol, a alegria das massas, após os bombardeios diários do espetáculo interminável da violência.
Os adeptos perderam a capacidade de indignação real. Nada escapa do vírus da decadência. A psiquiatria aplaude porque, como dizem os antigos, "ninguém é de ferro". Todavia, o infeliz pode escolher a cor predileta para as pílulas da alegria.
Enquanto o planeta treme, o solo se contamina, o ar conduz venenos, os trogloditas riem. Gozam de uma felicidade sem fim, protegidos pelos exércitos adestrados, obedientes como os antigos cães de caça, quando só os animais eram caçados. Por esporte, até serem dizimados, como as borboletas estão e os sapiens estarão (?).
Assim são as guerras para os trogloditas: esporte, caça de gentes débeis. Seu maior investimento. O mais rentável. Das indústrias farmacêuticas ao lixo nuclear, transferidos por lei, ameaças, corrupção.
A imprensa troglodita é uma especialidade na seção das guerras. Uma gentalha sem escrúpulos, orgulhosos e felizes no desempenho do papel de atiçar desavenças, mal-entendidos, violências e degeneração.
Os trogloditas não mascaram sua identidade. Têm imagens garantidas nas primeiras páginas, nos livros escolares, nos monumentos e nas análises de seus defensores, condecorados, considerados, notórios em suas especialidades: a manutenção do sistema de dominação troglodita. Dentre eles, a ética dos bons modos: a diplomacia.
Vencerão, afinal, os trogloditas? Continuarão na caça enlouquecida, legalizada, institucionalizada daqueles que ainda possuem a capacidade de ver, ouvir, sentir e pensar?
Vencerá os trogloditas o planeta?
Pouco importa se milhões são vítimas e, portanto, inconscientes de sua situação. A verdade, a verdade é que o vírus da consciência ainda é mais poderoso do que estas estruturas de desintegração moral. Atinge um lugar na genética do homo sapiens e o acorda para a luta contra o império da barbárie. Mais rápido, com a velocidade da luz.
Veremos.
* Vera Vassouras é advogada, Mestra em Filosofia do Direito pela Universidade de São Paulo (USP), professora universitária, tradutora, escritora, autora do livro O mito da igualdade jurídica no Brasil - Notas críticas sobre a igualdade formal.
URL:: http://abraabocacidadao.blogspot.com/2011/06/o-imperio-da-barbarie.html