Armínio Fraga recebeu toda a atenção de que gostaria. Ao participar no XXIII Fórum Nacional, o presidente do Conselho de Administração da BM&FBovespa, ex-presidente do Banco Central (BC), disse a uma seleta platéia ser necessário maior acompanhamento dos programas desenvolvidos pelo governo nos diversos ministérios "para aprender o que dá resultado e o que não dá".
O ex-presidente do BC cobrou, inclusive, mais transparência de parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em sua fala, pontificou que “não há país desenvolvido com governo ineficiente”. Seu discurso abrangeu críticas ao baixo nível de investimento do Brasil.
Que engraçado. Armínio Fraga não falou do maior problema do Brasil: os juros. Tudo muito bonito e todos estão de acordo com sua fala. Mas ele não explicou porque o Brasil não investe mais. A resposta, claro, é fácil: o país paga R$ 150 bi de juros da dívida interna todos anos. Isso mesmo: quase 5% do PIB. Já, juros baixos significam o óbvio: mais investimentos. Resta, portanto uma pergunta. Até quando vamos ter uma Selic de 12% num mundo de juros negativos?
Quanto aos comentários de Fraga ao BNDES, é bom lembrar que ele não falou do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobras. Em matéria de gestão e transparência houve uma melhora considerável nos últimos dez anos nessas instituições. Os fatos estão aí, no crescimento dos bancos e da Petrobras, não apenas em relação ao lucro, mas, também, quanto à relevância do papel que essas organizações tem para o desenvolvimento do país. É isso o que conta.
Rio de Janeiro, 01 de Setembro de 2026
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