Os tucanos parecem gostar de polêmicas em torno da Cia. do Metrô. Depois do imbróglio sobre a construção da estação de Higienópolis, a última do governador Geraldo Alckmin é reativar os contratos e retomar as obras da linha 5-Lilás com as mesmas empreiteiras suspeitas de terem feito acerto na divisão dos lotes para ganhar a licitação.
O acordão - ou conluio - foi denunciado no ano passado, pela Folha de S. Paulo. O jornal, desde abril, dispunha de um vídeo e um documento - com firma reconhecida em cartório - com o resultado dos vencedores da licitação dos lotes 3 a 8 da linha Lilás do metrô paulista.
Esse material foi produzido em 20 de abril de 2010. O resultado da licitação saiu em outubro confirmando as evidências de que o jornal dispunha. À época, o então governador tucano Alberto Goldman suspendeu a licitação porque a investigação da Corregedoria Geral da Administração, do próprio governo, concluiu haver indícios de conluio entre as vencedoras da concorrência.
Tucanos insinuam manipulação de documentos
Vejam, o que está em jogo não é pouco: trata-se da obra mais cara do Metrô paulista, cerca de R$ 4 bi para a ligação da Chácara Klabin (Vila Mariana) à av. Adolfo Pinheiro (Santo Amaro), na Zona Sul da capital.
O que espanta é que seis meses depois, o governador retome os mesmos contratos suspeitos e o presidente da Cia do Metrô, Sergio Avelleda venha a público afirmar que a Cia. que preside e o Instituto de Criminalística concluíram que o vídeo e o documento do jornal não têm força de prova judicial e que "sem provas, a administração não pode anular a licitação".
E mais: os peritos do Instituto de Criminalística e os contratados pelas empreeiteras sustentam que pode ter havido manipulação dos documentos nos quais o jornal se baseou para a denúncia. Nenhum, no entanto, arrisca-se a afirmar taxativamente que houve fraude no material da Folha.
Como, meus caros, o jornal sabia quais as empresas vencedoras desta licitação seis meses antes? Esta é a pergunta a se fazer, antes que o trem passe.