A tucanada está implacável. Uma rasteira atrás da outra, muitas destas armadas na surdina, bem ao estilo do próprio José, e uma não tão escondida aliança entre os parceiros, governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e o ex-governador de Minas, senador eleito, Aécio Neves (PSDB-MG), estão reduzindo a pó as pretensões de José Serra. Candidato tucano ao Planalto, derrotado no ano passado (e em 2002), José mantém-se decidido a concorrer de novo a presidente em 2014.
Os tucanos não o querem nem como presidente do Instituto Teotonio Vilela, de estudos do PSDB. Como presidente nacional do partido, então, nem pensar. Numa articulação tramada por alckmistas e aecistas, a bancada de deputados federais do partido reunida ontem em Brasília foi logo assinando um manifesto a favor da continuidade do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) no comando nacional da sigla.
Nada menos que 53 dos 55 deputados que constituem a bancada federal tucana assinaram o manifesto que fecha a Serra as portas de postos que ele sonhava conquistar. O documento tem, também, a adesão de grande parte da bancada de senadores do PSDB, todos empenhados em se livrar de seu algoz na campanha eleitoral do ano passado.
Detalhe: em outra decisão, os deputados tucanos derrotaram José Serra mais uma vez e elegeram como líder da bancada o candidato apoiado por Alckmin, Duarte Nogueira (PSDB-SP).
Aliança café com leite vai de vento em popa
A aliança café-com-leite (São Paulo-Minas), que já se impôs com muito sucesso na República Velha, até 1930, vai de novo de vento em popa. A locomotiva São Paulo atrelou em sua composição uma 2ª e poderosa locomotiva, a mineira, com Aécio como maquinista. E Alckmin, na confortável posição de quem pode em 2014 disputar a reeleição ou pensar, de novo, em concorrer à Presidência da República.
Já para José Serra, não dão nem deixam nada. Pelo jeito vão mesmo hegemonizar e dirigir o PSDB, apesar dos protestos do senador eleito por São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira Filho (PSDB-SP), que falou em rolo compressor, constrangimento, aviltamento da democracia interna tucana...Aloysio foi chefe da Casa Civil de José Serra governador.
Tudo aquilo que os rivais tucanos do serrismo desprestigiados, massacrados, não ajudados na campanha passada e alijados, autoritariamente, da disputa presidencial diziam sobre José Serra na disputa pelo Planalto no ano passado. A tucanada virou adepta da tese de que a vingança é um prato que se come frio e dá o troco agora a Serra.
E o José Serra, hein? Não o querem para nada
Quinta, 27 de Janeiro de 2011 às 11:07, por: CdB