Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

E nós, no Brasil?

Quarta, 08 de Dezembro de 2010 às 15:26, por: CdB

Ao registrar o julgamento iniciado hoje em um tribunal de Paris dos 13 chilenos e de um argentino acusados da prática de crimes de desaparecimento de adversários durante a ditadura Augusto Pinochet no Chile é inevitável constatar o quanto estamos atrasados no Brasil em processos dessa natureza (veja nota acima).

No Brasil, decorridos 46 anos da implantação da ditadura militar de 1964 e 25 do seu término (1985), sequer abrimos os arquivos da repressão e não temos a mínima idéia de como integrantes das Forças Armadas e agentes do regime de exceção cometeram os crimes que levaram ao desaparecimento de mais de 400 pessoas que julgaram adversárias do regime, além da tortura infringida a milhares.

Pior, ainda temos de conviver com essa farsa de integrantes das Forças Armadas dizendo que não há mais arquivos, que grande parte foi queimada e que não há mais nada a ser encontrado ou revelado. Desculpa esfarrapada, inverossímel, na qual nunca acreditei. Por isso fui voto vencido, mas defendi a abertura desses arquivos do primeiro ao último dia em que permaneci no governo.

Processo de revisão no Brasil é o mais atrasado do continente

O julgamento desses 13 chilenos (seriam 15 se Pinochet e Contreras não tivessem sido excluídos do processo) e do argentino é uma prova mais do que eloquente do que escrevo, e vou escrever sempre, até que a verdade venha à tona, imponha-se e supere a covardia dos que não confessam ou dos que encobrem seus crimes: não adianta postergar, um dia terão de abrir os arquivos e a verdade em toda a sua extensão será conhecida também no Brasil.

O processo está moroso aqui - no Brasil é o mais demorado do continente. Em todos os demais países em que houve ditaduras nas décadas de 60 a 80 os arquivos da repressão já são conhecidos, vieram a público, leis de anistia recíproca foram revogadas ou revistas, militares julgados e há até generais e ex-presidentes militares presos.

O presidente Lula por duas vezes recentemente evocou o medo e o drama de consciência em que vivem o torturador ou torturadores (nos anos 70) da presidente eleita Dilma Rousseff, presa política da ditadura por três anos. Podem remoer e terem o medo que quiserem, porque um dia a abertura desses arquivos acontecerá, também, no Brasil.  

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