Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

E-mails sugerem que donos de tabloide já poderiam saber de grampos, mas grupo nega

Murdoch é pressionado a demitir Rebekah Brooks, ex-editora do News of the World.

Domingo, 10 de Julho de 2011 às 15:02, por: CdB
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Murdoch é pressionado a demitir Rebekah Brooks, ex-editora do News of the World. O grupo News International, ao qual pertence o tabloide News of the World, encontrou há quatro anos e-mails que davam indicativos de que o jornal estaria fazendo escutas telefônicas e pagando policiais para obter informações jornalísticas. O tabloide circulou pela última vez neste domingo, após se envolver em um escândalo de grampos telefônicos ilegais de celebridades, políticos e pessoas de interesse midiático, em um caso que está causando comoção na Grã-Bretanha. Esses e-mails, que poderiam evidenciar comportamento criminoso, datam de 2007, mas só foram entregues às autoridades britânicas em 20 de junho deste ano, informa o editor de Negócios da agência inglesa de notícias BBC, Robert Peston. O grupo midiático, porém, negou que o executivo James Murdoch, filho do magnata Rupert Murdoch, tivesse conhecimento de tais e-mails. Segundo fontes ouvidas pelo jornalista, essas mensagens eletrônicas teriam sido guardadas temporariamente pelo escritório de advocacia Harbottle & Lewis e obtidos de volta por advogados agindo em nome do News International. As mensagens eletrônicas parecem indicar que Andy Coulson, editor do News of the World entre 2003 e 2007 e ex-porta voz do premiê David Cameron, autorizou pagamentos para que policiais contribuíssem com furos jornalísticos do tabloide. Coulson foi preso e solto sob fiança na sexta-feira, sob acusações de ter avalizado as escutas telefônicas ilegais. Ele nega ter conhecimento dos grampos. Os e-mails indicam, também, que os grampos telefônicos iam além de atividades promovidas por repórteres ?mal intencionados? – que é o que o News of the World alegou à época em que o escândalo veio à tona, dando a entender que se tratavam de ações isoladas que não eram de conhecimento da cúpula do tabloide. Em uma carta apresentada ao comitê de cultura e imprensa da Câmara Baixa do Parlamento britânico, o escritório de advocacia Harbottle & Lewis diz que pediu ao News International investigasse se as ações ilegais de Clive Goodman – ex-editor do News of the World, preso em 2007 por escutas telefônicas ilegais – eram de conhecimento de seus colegas de jornal. Na carta, datada de 29 de maio de 2007, o escritório de advocacia diz que não encontrou provas de que a cúpula do jornal sabia dos grampos. Mas, quando executivos do News International recuperaram esses e-mails das mãos dos advogados, encontraram evidências que, à primeira vista, indicavam que os grampos ilegais iam além das atividades isoladas de Clive Goodman. Apontavam, também, a existência de pagamentos ilegais para policiais. Robert Peston relata que são cerca de 300 e-mails, a partir de 2007, que sugerem conhecimento amplo das más práticas aparentemente cometidas pelo News of the World. Negócios Rupert Murdoch chegou à Grã-Bretanha neste final de semana, na tentativa de lidar com o escândalo de grampos. Na noite deste domingo, ele saiu de uma reunião ao lado de Rebekah Brooks, executiva-sênior do grupo News International e ex-editora do News of The World entre 2000 e 2003. Apesar de pressões para a demissão de Brooks, Murdoch voltou a dizer que a apoia no cargo. Mas o escândalo envolvendo o tabloide já está atrapalhando outros negócios do magnata midiático. Neste domingo, o líder do Partido Trabalhista (oposição), Ed Milliband, disse que vai pressionar o Parlamento britânico a tentar adiar a proposta de Murdoch de comprar 100% das ações da BSKyB, a subsidiária britânica da operadora de TV por assinatura Sky, da qual já ele é acionista minoritário. Milliband disse que quer que a compra seja adiada até que as investigações sobre o News of the World sejam concluídas. Última edição Também neste domingo, o News of the World, existente há 168 anos, circulou sua última edição, com os dizeres "Obrigado e adeus" na capa. Dentro, um editorial dizia que o jornal havia "perdido seu caminho". A tiragem do jornal, o mais vendido da Grã-Bretanha aos domingos, foi quase dobrada, para 5 milhões de exemplares, e é esperado que sua venda bata recordes. Uma federação de vendedores de jornais da Grã-Bretanha estimou que, ao meio-dia (horário local), as vendas do jornal eram 30% maiores em comparação com o domingo anterior.
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