Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2026

<i>E-mail</i> com dossiê 'foi ameaça', diz funcionário do Senado

Terça, 20 de Maio de 2008 às 09:49, por: CdB

O funcionário da segunda vice-presidência do Senado André Fernandes disse ter interpretado como uma ameaça o e-mail recebido do ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Pires - de quem se considerava um amigo - com uma planilha de gastos presidenciais na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Fernandes disse à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Cartões Corporativos que recebeu, além da planilha de gastos – o chamado dossiê –, um texto falando da obrigação do administrador público na prestação de contas.

– Não pedi para receber o e-mail. Foi uma troca de e-mails corriqueira e interpretei claramente como uma intimidação ao partido. Sou assessor de um dos principais senadores da oposição [Álvaro Dias – PSDB/PR]. Ele manda um e-mail com gastos sem critério nenhum, sem lógica nenhuma. E na época ainda estava se discutindo se as investigações da CPMI iriam regredir até 1998 ou não. Ele não é ingênuo, eu também não. Eu já participei de CPI, ele também – afirmou.

Segundo o funcionário, essa não foi a primeira vez que foi ameaçado por José Aparecido Pires. Fernandes disse que em 2004, quando era assessor do então senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) durante a CPI do Banestado, recebeu claramente ameaças de Aparecido.

– Em agosto, quando a CPI estava pegando fogo, ele falou claramente, e para bom entendedor meia palavra basta: 'somos o lado forte. No Planalto já sabem o nome de vocês, o Antero está perdido'. Depois disso, falei com o senador [Antero] – contou.

André Fernandes acrescentou que o parlamentar não foi ao plenário denunciar a ameaça a pedido dele.

– Disse que era uma questão pessoal e que havia rompido com ele [José Aparecido Pires]  –, disse.

O funcionário da segunda vice-presidência do Senado disse que conhece o ex-secretário da Casa Civil desde 1991, mas, por conta da discussão em 2004, a amizade ficou distante. Ele fazia parte de uma lista de amigos para os quais Fernandes mandava e-mails “apenas corriqueiros”.

– Não discutia política com ele –, afirmou, ao acrescentar que a planilha de gastos chegou ao seu e-mail enquanto estava de férias.

– Ele tentou me usar como peão duas vezes. Tentou me intimidar duas vezes. Isso já mostra muito bem quem é ele – disse.
 
André Fernandes ainda admitiu que chegou a indicar um amigo para trabalhar com Aparecido no Palácio do Planalto.

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