Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Dutra diz que Lula mandou esquecer especulações sobre reforma

A reforma ministerial para abrigar o PMDB será discutida pelo conjunto do governo de forma serena, sem a pressão das especulações da mídia e no momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerar mais adequado. Essa é a orientação que o ministro das Cidades, Olívio Dutra, diz ter recebido do "presidente companheiro" nas conversas que tiveram esta semana. (Leia Mais(

Quarta, 07 de Janeiro de 2004 às 06:48, por: CdB

A reforma ministerial para abrigar o PMDB será discutida pelo conjunto do governo de forma serena, sem a pressão das especulações da mídia e no momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerar mais adequado. Essa é a orientação que o ministro das Cidades, Olívio Dutra, diz ter recebido do "presidente companheiro" nas conversas que tiveram esta semana.

Com o cargo no alvo das mais recentes especulações de mudanças, Olívio recebeu telefonema tranqüilizador de Lula no início da tarde desta terça (6). "O presidente Lula me ligou às 13h30 para dizer que não tenho que estar preocupado com as especulações, porque o nosso governo não se movimenta assim. É um governo solidário", relatou o ministro.

No dia anterior, os dois se encontraram no Palácio do Itamaraty, onde o presidente recebeu, junto com o antecessor, Fernando Henrique Cardoso, um prêmio da Universidade de Notre Dame (EUA). Na conversa, segundo Olívio, o presidente teria dito que ainda não havia chegado o momento de discutir a integração do PMDB ao governo. "Quem define o tempo é o presidente. Reforma ministerial não é tema de um ministro, é tema de governo. Tem que ser debatida na instância de governo, quando o presidente entender. O presidente tem pulso, tranqüilidade, firmeza e paciência para resolver essa questão no tempo certo, de maneira bem tranqüila, serenamente. Não de forma açodada, pautada por opiniões plantadas na mídia por esse ou aquele interesse local ou pessoal", disse o ministro, indicando que a reforma só sai depois de uma reunião ministerial ampla.

Em nota divulgada pelo porta-voz presidencial, André Singer, o presidente demonstrou irritação com as especulações em torno da reforma ministerial, dizendo que elas podem prejudicar "o bom andamento de setores da administração pública". Reiterou ainda que a definição do momento das mudanças cabe apenas a ele próprio.

Olívio disse que sua equipe não vai mudar o ritmo nem a conduta por causa dessas especulações. Mas observou que a decisão sobre a permanência de qualquer ministro é exclusiva do presidente da República. "Nenhum ministro faz do cargo um nicho seu. Todos fazem parte da equipe do companheiro Lula", disse o ministro, que considera normal a especulação em torno do ministério que comanda.

Ferramenta estratégica

Ele avalia que o Ministério das Cidades se consolidou, transformando-se em uma "ferramenta estratégica" para o projeto de desenvolvimento do governo Lula. Observa que os recursos do Orçamento deste ano são melhores que os herdados no ano passado e apresenta os valores que devem ser gastos com habitação, saneamento e tratamento dos resíduos sólidos: R$ 5,5 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e R$ 7,5 bilhões do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Percebendo o apetite do PMDB, os movimentos de luta pela reforma urbana, que participaram da Conferência das Cidades no fim do ano passado, colocaram como uma das principais reivindicações a permanência de Olívio e sua equipe no Ministério das Cidades. O ministro garante que não pleiteou essa solidariedade, mas não esconde ter ficado satisfeito com o gesto.

- Que bom que o movimento social estava olhando longe - admirou.

Olívio não vê problemas na participação do PMDB no governo, mas deixa no ar a preocupação de que a equipe de Lula venha a ser integrada por integrantes da ala do partido que apoiou o candidato adversário, José Serra (PSDB), até o fim da disputa. "A parte do PMDB que está em sintonia com nosso projeto estratégico deve assumir a responsabilidade de governar o país conosco", pontua.

Adversários políticos

O receio do ministro é a eventual escolha de adversários políticos. O PMDB gaúcho, que apoiou Serra até o fim da eleição, é o maior adversário do PT no Estado governado por Olívio até 2002. Mesmo enfatizando que sua atenção está voltada exclusivamente para o Ministério das Cidades, o min

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