A União Européia (UE) enfrenta nesta quinta-feira um aprofundamento da crise de confiança no bloco depois que a Holanda seguiu a França na rejeição à nova Constituição, uma medida que poderá paralisar a expansão e prejudicar a tomada de decisões.
Líderes europeus exortaram os países-membros a seguir adiante com o processo de ratificação do tratado, projetado para fazer o bloco funcionar com mais tranquilidade após ter aumentado de 15 para 25 integrantes, no ano passado. O tratado precisa ser ratificado por todos os países-membros para entrar em vigor.
- O resultado do referendo na Holanda era esperado, mas não muda nossa posição. Vamos continuar trabalhando pela ratificação - disse o primeiro-ministro tcheco, Jiri Paroubek.
O Parlamento da Letônia aprovou o tratado com ampla maioria nesta quinta-feira. Isso significa que 10 membros, representando quase a metade dos 454 milhões de cidadãos da UE, já endossaram o texto.
Mesmo assim o "não" de 61,6% dos eleitores na Holanda na quarta-feira foi ainda mais incisivo que os quase 55% de rejeição na França, três dias antes.
- A França deu um tapa no lado esquerdo da face da Europa, e os holandeses deram agora no direito - disse Graham Watson, líder liberal no Parlamento da UE.
- Espero que isso tire a União Européia de seu torpor e force seus líderes...a mostrar liderança - ressaltou.
As próximas duas semanas devem ser de incerteza, antes que os líderes da UE debatam como atuar, em encontro nos dias 16 e 17 de junho.
-Vamos dar uma resposta no...encontro em meados de junho. Ninguém no momento tem uma resposta definitiva, que seja válida para todos - afirmou o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi em Roma.
O presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, pediu aos países-membros para que continuem com o processo de ratificação e não esvaziem a cúpula com "decisões unilaterais" antes do encontro.
A Grã-Bretanha decidirá na próxima semana se suspenderá ou continuará com a legislação que abre caminho para um referendo.
O ministro para a Europa, Douglas Alexander, disse que a Grã-Bretanha - onde os eleitores são mais céticos sobre a integração européia do que os holandeses ou franceses - não vai declarar unilateralmente o fim da Constituição e tentará chegar a consenso com seus parceiros.
- Esses dois votos de 'não' deixam o tratado constitucional em sérias dificuldades...mas nenhum país pode declará-lo morto - disse ele à rádio BBC.
Mas o presidente tcheco, Vaclav Klaus, crítico do tratado, afirmou que o voto na Holanda provou que a oposição é grande.
- Se alguém interpretou o voto francês como um fato excepcional, já não pode dizer isso depois do resultado na Holanda - declarou ele durante visita a Helsinque.
As votações lançam dúvidas sobre o desejo europeu de constituir uma política externa mais forte e sobre seus planos de ampliação rumo aos Bálcãs, Turquia e Ucrânia, além de levantar questões sobre seu apetite por reformas econômicas em meio à competição global.
O comissário de ampliação da UE, Olli Rehn, disse que a expansão vai continuar apesar dos resultados na França e na Holanda. Mas serão enviadas cartas para a Bulgária e para a Romênia - que devem aderir ao bloco em 2007 - advertindo que o ritmo de suas reformas pré-integração está insuficiente.