Um duplo atentado suicida cometido por mulheres-bomba, das quais uma era chechena, e que foi atribuído por autoridades russas aos rebeldes separatistas, causaram a morte de cerca de 20 pessoas este sábado, durante um show de rock em Moscou. As duas mulheres usavam "cinturões de mártires", com uma carga estimada pela polícia em pelo menos 500 gramas de TNT. Ao que parece, elas não quiseram passar pelo controle de segurança na entrada do aeródromo de Tuchino, no Noroeste de Moscou, e detonaram sucessivamente suas cargas em dois locais distintos, perto das bilheterias, às 14h45 e 15h00 locais (8h de Brasília). Uma jornalista da AFP viu cinco corpos, entre eles o de uma jovem, caídos na calçada da avenida que passa pelo aeródromo. O ministro russo do Interior, Boris Gryzlov, foi até o local e disse que uma das mulheres-bomba portava documento de identidade checheno. Ela foi identificada pelos serviços de segurança como Zulijan Lijadjieva, 20, da região de Kurtchaloi, a sudeste de Grozny. Gryzlov ligou os atentados suicidas à guerrilha separatista chechena e à proximidade das eleições presidenciais na Chechênia, que visam a conseguir a normalização desejada pelo Kremlin. O ministro assinalou que o balanço das duas explosões dá conta de 16 mortos e 20 feridos internados. Momentos antes, a polícia havia anunciado 20 mortes. O prefeito de Moscou, Iuri Lujkov, também foi até o local do atentado e disse que o cinturão de uma das mulheres-bomba não funcionou como o previsto e deixou apenas três feridos. De acordo com Gryzlov, 20 mil jovens estavam em Tuchino para o tradicional festival de rock Krylia. O ministro anunciou um reforço na segurança nos mercados e salas de espetáculos da capital. A Justiça de Moscou iniciou uma investigação por "terrorismo" e "assassinato premeditado", anunciou a agência de notícias Interfax. A autoria dos atentados não foi reivindicada, mas o método utilizado parece confirmar a pista chechena citada pelo ministro do Interior. O comando de separatistas que tomou como refém a platéia da comédia musical Nord-Ost em Moscou, em outubro passado, tinha mulheres entre seus integrantes. Em maio, duas mulheres-bomba cometeram atentados na Chechênia que deixaram 100 mortos. A segunda guerra chechena começou em setembro de 1999, depois de uma série de explosões em prédios da capital russa. As autoridades atribuíram esses atentados, sem jamais exibir provas, aos separatistas, motivo pelo qual o governo autorizou a entrada das tropas federais na república chechena em 1º de outubro.
Duplo atentado suicida mata cerca de 20 pessoas em Moscou
Sábado, 05 de Julho de 2003 às 11:28, por: CdB