Rio de Janeiro, 01 de Abril de 2026

Duda Mendonça inicia defesa em denúncia do Ministério Público

Quarta, 16 de Agosto de 2006 às 09:04, por: CdB

Publicitário e marqueteiro político, Duda Mendonça mobilizou nesta quarta-feira o departamento jurídico de suas empresas para atuar na defesa de denúncia do Ministério Público (MP) por corrupção passiva junto com o ex-governador do Rio Marcello Alencar (PSDB). Ele recebeu R$ 7,2 milhões dos cofres do governo fluminense entre julho de 1997 e o fim de 1998 para participar de apenas duas reuniões como consultor.

Segundo relatório em poder do MP, a agência A2CM, de Mendonça, foi contratada para "padronizar" a linguagem de sete empresas de publicidade contratadas pelo governo de Alencar e que estão sob investigação. As empresas venceram licitação para prestar serviço ao Estado e, desde a segunda metade de 1997, repassavam até 50% de seu faturamento com os contratos para a A2CM de Duda Mendonça, que ainda não se pronunciou sobre o assunto, nem o ex-governador Marcello Allencar.

Além de Marcelo e Duda (ex-marqueteiro do PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva), também foram denunciados pelo MP o filho do ex-governador e ex-secretário estadual de Fazenda, Marco Aurélio Alencar; o ex-coordenador-geral da Secretaria de Fazenda Jomar Pereira da Silva e o ex-chefe de gabinete da secretaria Deodônio Cândido de Macedo Neto.

Os cinco também são acusados pelos promotores Carina Fernanda Gonçalves Carneiro e João Luiz Ferreira de Azevedo Filho de peculato (crime praticado por funcionário público), assim como 12 publicitários e sócios das sete agências contratadas pelo Estado.

- Perguntamos às agências quantas reuniões com o Duda fizeram para uniformizar a publicidade. Foram só duas. Ele foi muito bem pago - disse a jornalistas o deputado Carlos Minc (PT), presidente da CPI que investigou o caso em 1999 - e serviu de base para a denúncia do MP. Além de Duda e Alencar, o MP denunciou outras 15 pessoas por corrupção passiva.

A informação sobre a freqüência dos encontros faz parte do documento entregue ao MP e que agora está com a 23ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça. Pedro Nonato, sócio da agência Euso na época, estranhou a denúncia.

- Fomos vítimas de chantagem, roubados, forçados a dar nosso dinheiro - disse. Ele acrescentou que Duda Mendonça orientou, contra a vontade das contratadas, todas as campanhas do governo a partir de então.

Sócio da Contemporânea, José Antônio Calazans contou que houve uma reunião em julho de 1997, na qual ficou determinado que a A2CM - segundo ele, o nome de Duda não foi citado - receberia parte da verba das contratadas:

- Foi um pedido-determinação.

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