É como se David Duchovny estivesse voltando para casa.
O ex-astro de "Arquivos X" vai embarcar num novo caminho profissional na sexta-feira, com a chegada aos cinemas do drama "House of D", sua estréia como roteirista e diretor de um longa-metragem.
Aos 44 anos, Duchovny é conhecido em todo o mundo como o ator que representou o agente do FBI Fox Mulder no seriado "Arquivos X", da US TV. Mas ele tem um mestrado em literatura inglesa pela Universidade Yale e disse à Reuters que o que sempre gostou mais foi de escrever.
"House of D" foi sua primeira oportunidade de dirigir um roteiro que ele próprio escreveu, e Duchovny espera que haverá outras no futuro.
"O que me motivou a começar a atuar, no início, foi o desejo de aprender a escrever para o teatro ou o cinema", disse o ator. "É quase como se eu estivesse voltando ao ponto de onde comecei."
"House of D" leva os fãs de Duchovny ao bairro de Greenwich Village, em Nova York, onde ele cresceu, estudou com bolsa de estudos em escola particular, trabalhou como entregador de carne quando adolescente e, com seus amigos, frequentou um centro de detenção de mulheres em Manhattan, local apelidado de "House of D".
Para Duchovny, o filme remete ao ano de 1973, quando ele era um adolescente desajeitado aprendendo sobre o amor e procurando seu lugar na vida. Mas ele fez questão de declarar que "House of D" não é uma autobiografia. "Minha vida não foi tão dramática", disse ele.
Quando era adolescente e entregava carne, por exemplo, Duchovny fantasiava sobre ser seduzido por uma mulher mais velha e sexy. Seu momento "Mrs. Robinson" entrou para o filme.
"Infelizmente, não é autobiográfico", disse Duchovny, traindo um pouco de desapontamento.
"House of D" parte do fascínio que Duchovny sentia com a ironia das mulheres presas no centro de detenção mas que, mesmo presas, podiam falar abertamente com as pessoas na rua desde as janelas de suas celas. Elas estavam isoladas, mas, de maneira estranha, eram livres.
"A história toda surgiu do desejo de aproveitar essa dinâmica", explicou, acrescentando que o restante da história é basicamente criação sua.
Duchovny representa o ilustrador Tommy Warshaw, de 43 anos, que vive em Paris com sua mulher, francesa, e filho de 13 anos. Mas seu casamento está mal. No 13o aniversário de seu filho, ele resolve revelar a sua família a verdade sobre sua juventude problemática, numa tentativa de melhorar as relações entre eles.
Então o filme volta a 1973, e o público vê Tommy aos 13 anos (Anton Yelchin) enfrentando a morte de seu pai, a depressão de sua mãe, o sexo desajeitado, um fracasso moral pessoal e as dificuldades da amizade.
Para ajudar a passar por tudo isso, Tommy procura os conselhos de uma presa da House of D.
Pelo fato de lançar esse olhar sobre sua própria adolescência, Warshaw, adulto, consegue oferecer a seu filho adolescente a sabedoria da maturidade.
A mulher de Duchovny, Tea Leoni, faz o papel da mãe, a cantora Erykah Badu é a presa, e Robin Williams é Pappass, um amigo de Tommy -- um adulto com QI baixo e mente infantil.