Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2026

Dubai, é isso tudo?

Passei quatro dias em Dubai, atendendo a um convite feito a esta coluna no Correio do Brasil, e confesso que não sabia o que viria pela frente. (Leia Mais)

Quarta, 21 de Maio de 2008 às 15:25, por: CdB

Passei quatro dias em Dubai, atendendo a um convite feito a esta coluna no Correio do Brasil, e confesso que não sabia o que viria pela frente, embora tivesse uma noção, pois o que não falta na mídia são reportagens acerca da maior cidade dos Emirados Árabes Unidos.

Mas, não vou ficar aqui enumerando tudo que vi, até porque foi uma grande decepção. Excetuando a Fly Emirates que tem umas das melhores classes executivas nas quais até hoje já voei - vamos ver a da TAP – é tudo over se assim posso dizer. Construção da maior torre do mundo, hotel em forma de vela, museu idêntico ao Louvre, ilhas em forma de palmeira, cinco pistas de esqui dentro de um shopping center. Para se ter uma idéia, naquele espaço diminuto estão em atividade 20% das gruas do mundo, quase tudo caríssimo e de um inenarrável mau gosto.

Devo estar parecendo um leproso dos tempos idos, pois todos esperam maravilhas da viagem, e quanto a isso praticamente nada tenho a dizer.

Para não fugir totalmente à bandeira da gastronomia, aqui no CdB, faço um breve relato do que vi e provei, por exemplo, no restaurante do Burj al Arab, o hotel em forma de vela. Inequívoco que em Dubai existem grandes cozinhas, a preços inteiramente fora da realidade. Exemplo: Um menu composto de entrada, prato principal e sobremesa, com opções inteiramente continentais, clássicas mesmo, custa o equivalente a US$ 250. Uma cerveja vai além dos R$ 50. E estamos falando do restaurante mais simples do hotel, que, de passagem, tem uma decoração e ambientação que nunca vi igual, de tão exagerado.

Com certeza trarei informações e diversas fotos muito mais interessantes das regiões da Toscana e da Provence, a partir da semana que vem. Assim espero, pois imaginem se a globalização haja contaminado o mundo com o exemplo de Dubai.

Por fim, não podia de registrar a presença, em Dubai, no Burj al Arab, do nosso ilustre alcaide, acompanhado de sua comitiva. Acho que estava adquirindo alguma experiência na construção do metrô, eis que na exploração de petróleo, construção de pista de esqui, hotel em forma de vela etc com certeza não o foi. Enquanto as obras em Dubai vão de vento em popa, as de Salvador, melhor nem dizer. É bom que se diga que minha suposição é baseada no fato de que esse meio de transporte, nessas duas cidades, tem que ser feitos sobre a terra.
 
Receita da semana

Tartra ou Tartrá - Rendimento para 10 porções

Ingredientes:

600ml de leite
400g de creme de leite fresco
05 ovos
150g de queijo grana padano
30g cebola picada
30g manteiga fresca
Alecrim, louro, pimenta do reino, noz moscada e sal q.b.

Procedimento:

Ferver o leite com o creme de leite e o sal, tirar do fogo e adicionar as ervas, a noz-moscada ralada na hora e a pimenta recém-moída.

Refogar a cebola na manteiga até dourar, em fogo brando, e juntá-la ao leite.

Deixar tomar gosto por pelo menos 30 minutos e passar tudo por uma peneira não muito fina.

Numa tigela, bater os ovos com o queijo ralado, adicioná-los ao composto de leite e ervas e despejar tudo numa forma untada com manteiga. Assar em forno pré-aquecido a 150°C, em banho-maria, por pelo menos 40 minutos. Servir imediatamente.

O tartrá é um pudim salgado originário do Piemonte e é ideal para ser servido nos dias do inverno. Na foto acima servi com um mix de alface e pancetta e com um ovo de codorna pochê por cima. Outra opção bem interessante é servir com uma fonduta cuja receita já foi dada em coluna anterior. Como disse é uma entrada para o inverno, ideal para aquela casa na serra.

Espero que gostem e até semana que vem.

Flavio Vitari é chef-de-cozinha e colunista do Correio do Brasil.

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Edições digital e impressa