A disputa pelo poder entre dois grupos provocou a morte de dois presos na Cadeia Pública de Montes Claros, nesta sexta-feira à tarde. José Leonardo Soares Vieira, o "Léo Caixote", preso por tráfico, e Wedson de Jesus Soares, o "Negão", preso por furto, morreram com tiros e chuçadas (golpe de chuço).
A Polícia está investigando a informação de que o preso Arley Adriano Rocha Silva, o "Quatro Olhos", acusado de assalto à mão armada, ao tomar conhecimento de que estava jurado de morte, resolveu se antecipar aos seus adversários, liderados por "Léo Caixote".
O comandante regional de Policiamento, coronel Rômulo Berbetz Diniz, que esteve na operação para conter a rebelião, conta que ouviu essa versão do próprio Arley. Foi a terceira rebelião na Cadeia Pública de Montes Claros, que tem capacidade para 60 presos, mas abriga atualmente 217.
O motim aconteceu às 16h30, quando, juntamente, com seus companheiros do pavilhão quatro, portando dois revólveres calibre 38, seis facas artesanais, três chuços e uma peixeira, Arley atacou o grupo de Léo, que ocupava o pavilhão três. Os presos chegaram a assumir o controle da Cadeia Pública, segundo alguns detetives que trabalham no local.
Por coincidência, o pelotão de choque estava fazendo treinamento no 10º Batalhão, a um quilômetro de distância, e imediatamente deslocou-se para a Cadeia Pública. Foram 60 militares. Os presos tentaram impedir que a Polícia Militar entrasse no local, mas o Pelotão de Choque dominou todos eles.
O preso Wedson, baleado na cabeça, morreu quando estava sendo encaminhado para hospital da cidade. Também ficaram feridos, e foram encaminhados para hospitais, os presos Gilberto Souza Pereira, Francisco Adeir Bezerra, Fabiano Soares dos Reis, Wanderley Pereira Rodrigues e Reinaldo Godinho Borges.
A presa Ana Amélia Rodrigues Santos, que está grávida, passou mal e teve de ser hospitalizada. Depois de controlar a rebelião, a polícia colocou todos os presos no pátio, nus, enquanto fazia uma operação "pente fino", que descobriu uma TV e três chuços nas celas. O delegado Saulo Nogueira diz que a polícia sabia dessa rixa entre gangues, comuns nos presídios.