Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Duas pessoas morrem de dengue em Minas Gerais

Quarta, 10 de Dezembro de 2003 às 23:46, por: CdB

Duas pessoas morreram e outras duas estão internadas em estado grave, suspeitas de dengue hemorrágica. O período chuvoso trouxe a doença de volta a Conselheiro Pena, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. As mortes foram registradas nos dias 1º e 3 deste mês, e há 15 dias, o Hospital Doutor Helcio Valentim, único do município, atende a uma média de oito pacientes por dia com sintomas da dengue. Onze pessoas estão hospitalizadas com a doença e faltam vagas.

O chefe da Divisão de Epidemiologia de Conselheiro Pena, médico Marcos Afonso, acredita que o número de casos - 133 notificados e 62 confirmados, o correspondente a 0,29% da população de 21.710 habitantes - esteja 'mascarado', e pede socorro ao Estado, inclusive para um melhor levantamento de dados. Segundo ele, de setembro a novembro, o índice de infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, era baixo - 0,32% -, mas com a chegada das chuvas, fugiu ao controle.

No começo do mês, lembra o chefe de Epidemiologia, médicos do Hospital Doutor Helcio Valentim encaminharam dois homens com suspeita de dengue hemorrágica para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Municipal de Governador Valadares.

Eles morreram sem que amostras da sorologia fossem recolhidas para análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed), o que vai impedir a confirmação oficial da doença. Mas nos outros dois casos, exames realizados pelo hospital confirmaram a dengue hemorrágica. O resultado da Funed deve ficar pronto em 30 dias.

O estudante L.A.L.L., 16 anos, foi transferido para a UTI do Hospital São Lucas, em Governador Valadares, e o motorista A.D.C., 39 anos, continua internado em Conselheiro Pena.
Segundo o médico e diretor clínico do hospital, Clodoaldo Lopes Dias, o motorista está recebendo plaquetas, mas não tem reagido ao tratamento. Até a tarde de ontem, o hospital tentava, sem sucesso, transferir o paciente, que é segurado do SUS, para o Hospital Municipal de Governador Valadares, que alegou falta de vaga.
 
- Se o quadro dele se agravar, vai precisar de uma UTI, que não temos aqui - disse.
Conforme o diretor administrativo do hospital de Conselheiro Pena, Álvaro Freitas, a unidade está operando com capacidade máxima, com os 52 leitos ocupados, 11 deles por pacientes com dengue.
 
- Se não conseguirem vagas em outras cidades, esses doentes terão que se tratar em casa. Muitos já estão fazendo isso - disse.

 O hospital enfrenta, ainda, falta de recursos para o pronto-antendimento. Um quinto caso suspeito de dengue hemorrágica chegou a ser notificado em Conselheiro Pena, mas foi descartado ontem - o de uma mulher da zona rural, que morreu no dia 23 de novembro, sete dias depois de um parto. Segundo Marcos Afonso, laudo emitido pelos médicos da parturiente comprova óbito em decorrência de infecção.

A dengue é uma doença infecciosa causada por quatro tipos diferentes de vírus - 1, 2, 3 e 4, este último ainda inexistente no Brasil. Ela causa desconforto e transtornos, sendo que a do tipo hemorrágica pode matar.
 
Os sintomas são febre alta, dor de cabeça, muita dor no corpo e, às vezes, vômitos. É freqüente o surgimento de manchas vermelhas na pele, três a quatro dias após o início da febre. Minas tem outros 127 municípios considerados críticos para a doença, por terem enfrentado epidemias no passado.
 
O município já pediu ajuda ao Estado para tentar controlar o índice de proliferação do mosquito da dengue, e também para descobrir qual o tipo do vírus que circula em Conselheiro Pena.
 
Uma equipe da Diretoria de Ações Descentralizadas de Saúde (Dads) de Governador Valadares chegou na cidade na última terça-feira de manhã para auxiliar nos trabalhos e definiram, como estratégia inicial, a realização de mutirões de limpeza e visitas domiciliares. A cidade tem cerca de cinco mil imóveis e 90% dos focos estariam nas casas.

De acordo com o secretário Municipal d

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