Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Drogas modernas podem evitar derrames e ataques cardíacos

Segunda, 05 de Setembro de 2005 às 03:17, por: CdB

Mais da metade de todos os derrames e ataques cardíacos em pessoas com pressão alta pode ser prevenida por uma mistura de drogas modernas, disseram pesquisadores neste domingo.

O maior estudo feito na Europa sobre pressão alta do sangue afirma que novas drogas contra a hipertensão funcionam melhor que as antigas, e têm um impacto dramático na saúde dos pacientes, principalmente quando administradas com uma pílula anticolesterol.

Os testes com 19 mil pessoas foram interrompidos em novembro porque as drogas mostraram-se muito melhores que o tratamento convencional, mas os detalhes finais só foram apresentados agora a clínicos e publicados no jornal médico <i>Lancet</i>.

O estudo de cinco anos comparou o antigo regime de drogas, envolvendo betabloqueadores e um diurético, com a combinação de dois novos remédios para a pressão sanguínea -  Norvasc, da Pfizer Inc., Aceon/Coversyl, da CV Therapeutics Inc., e Solvay SA.

Norvasc, conhecido pelo nome genérico de amlodipina, é um bloqueador dos canais de cálcio, e o Aceon/Coversyl, ou perindopril, é um inibidor ACE, desenvolvido originalmente pelo Servier, da França.

Além disso, 10 mil pacientes também foram tratados com Lipitor, droga redutora de colesterol do laboratório Pfizer.

Os pesquisadores determinaram que as drogas para pressão reduziram o risco de derrames em cerca de 25%, de ataques cardíacos em 15%, de mortes por acidentes cardiovasculares em 25% e novos casos de diabetes em 30%, em comparação ao tratamento padrão.

A adição de Lipitor, ou atorvastatina, corta ainda mais o risco residual, mesmo quando os pacientes não tinham níveis de colesterol especialmente altos. A Pfizer foi o principal patrocinador do estudo.

<b>Novo padrão</b>

O professor Peter Sever, do Imperial College, em Londres, co-presidente do estudo, disse que os dados vão levar médicos a reavaliarem as linhas de uso para betabloqueadores como tratamento de linha de frente e ressaltam a necessidade de tratamento holístico.

- Podemos dizer agora com segurança que podemos reduzir o risco de ataques cardíacos e derrames entre a população de pressão alta em mais de 50% -  disse.

- Se pudermos traduzir isso a milhões de pessoas com hipertensão, isso resultará em salvamento colossal de vida.

As descobertas vão reativar o debate sobre o tratamento de pressão alta e podem causar revisão das recomendações internacionais para o controle da doença.

Os betabloqueadores, que em geral são vendidos em forma genérica, vinham sendo o tratamento padrão para pressão alta, dor no peito e insuficiência cardíaca.

Em editorial sobre o estudo no <i>Lancet</i>, Jan Staessen, da Universidade de Leuven, Bélgica, disse que o estudo mostrou o valor à sociedade do tratamento efetivo da pressão alta.

- Governos e seguros de saúde vão ter que aceitar que o uso de drogas contra hipertensão não pode ser racionado - escreveu.

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